quinta-feira, 18 de março de 2010
Citação de Montesquieu
" Quando se faz uma estátua, não se deve estar sempre sentado no mesmo lugar; é preciso vê-la de todos os lados, de longe, de perto, de cima, de baixo, em todos os sentidos."
Montesquieu,Cadernos.
terça-feira, 16 de março de 2010
André Mansur e as histórias da Zona Oeste carioca - Globo online enviada por Miguel Conde em 2/2/2009
André Mansur e as histórias da Zona Oeste carioca - Globo online enviada por Miguel Conde em 2/2/2009
O título do novo livro do jornalista André Luis Mansur, "O Velho Oeste carioca" (Ibis Libris), sugere à primeira vista mais um relato sobre o bangue-bangue diário em que a vida no Rio de Janeiro às vezes parece transformada. Não é nada disso, explica o autor. O livro conta uma história menos sangrenta, mas à qual não falta dramaticidade: o desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro. A partir de relatos da época e trabalhos de historiadores, Mansur conta uma história que a maioria dos cariocas desconhece, e que ajuda a entender um tanto da cidade atual.
Nos comentários sobre a última eleição municipal, houve quem apontasse um antagonismo entre Zona Sul e Zona Oeste. O que você acha disso?
AM - Acho que existe um antagonismo principalmente cultural. Na zona sul, você esbarra em teatros, cinemas, museus e centros culturais, enquanto na parte da zona oeste que estudo no livro (de Deodoro a Sepetiba) não há sequer uma livraria de peso. Em relação à memória da região, tema do meu livro, destaco uma instituição que faz um trabalho muito importante, que é o Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica (Noph), de Santa Cruz.
O título do livro sugere que a Zona Oeste do Rio foi, ou talvez ainda seja, uma espécie de terra sem lei. Essa percepção é correta?
AM-Na verdade, quando pensei no título, pensei principalmente na sonoridade dele e na curiosidade que poderia despertar, características que me foram confirmadas por muita gente que se sentiu atraída pelo título. No caso da “terra sem lei”, há alguns trechos que falo disso em relação aos problemas de limites e demarcação de algumas das antigas fazendas, que muitas vezes deram origem a conflitos.
O desenvolvimento urbano do Centro e da Zona Sul é razoavelmente conhecido, mas o da Zona Oeste não. Como ele se deu?
AM-Com exceção da Fábrica de Tecidos Bangu, foi basicamente um desenvolvimento agropastoril, com destaque para a Fazenda de Santa Cruz - uma das maiores do Brasil na época em que foi dos jesuítas e chamada de “jóia da Coroa” -, muitos engenhos e o ciclo da laranja, que fez de Campo Grande o maior produtor da fruta nos anos 30 e 40 do século passado. A exceção deste contexto foi a área entre Realengo e a Vila Militar, que, por opção estratégica, foi ocupada principalmente por quartéis do Exército.
Como estudar a história da Zona Oeste nos ajuda a entender o atual estado da região, e em particular seus problemas?
AM-Um dos grandes problemas da Zona Oeste é que ela passou de uma área rural para uma área urbana muito rapidamente nas últimas décadas. Não houve uma fase intermediária, uma fase sub-urbana. Com isso, surgiram diversos problemas, como crescimento populacional desordenado, trânsito caótico e diversas questões de “ordem pública”, para usar uma expressão que está na moda, como poluição sonora, por exemplo. Isso sem contar a degradação ambiental verificada nos parques florestais e no litoral, principalmente em Sepetiba e na Pedra de Guaratiba.
Quais foram os principais autores que registraram algo sobre a vida na Zona Oeste nos séculos anteriores?
AM-Além de autores importantes da região, como o historiador Benedicto Freitas, que escreveu uma coleção de três volumes sobre Santa Cruz, cito autores que dedicaram um bom espaço à região em livros sobre o Rio de Janeiro, como Brasil Gerson, Noronha Santos e Monsenhor Pizarro, sem contar os muitos visitantes europeus que estiveram na região, como a inglesa Maria Graham e o pintor francês Jean Baptiste Debret.
Durante sua pesquisa, o que te surpreendeu sobre a região?
AM-Sem dúvida, foi a história da Fazenda de Santa Cruz, principalmente do período a partir da chegada do príncipe-regente D. João, em 1808, que se apaixonou pela região e transformou o prédio principal da fazenda em palácio de veraneio. Saber que um bairro da zona oeste se tornava sede de um poderoso império durante vários meses do ano realmente me surpreendeu. E a excelente condição da sede da fazenda (hoje é a sede do Batalhão de Engenharia Militar Villagran Cabrita), sempre recebendo visitas de pesquisadores e alunos de escolas públicas, é uma referência perfeita de como pode e deve ser preservado o imenso patrimônio histórico da região.
O título do novo livro do jornalista André Luis Mansur, "O Velho Oeste carioca" (Ibis Libris), sugere à primeira vista mais um relato sobre o bangue-bangue diário em que a vida no Rio de Janeiro às vezes parece transformada. Não é nada disso, explica o autor. O livro conta uma história menos sangrenta, mas à qual não falta dramaticidade: o desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro. A partir de relatos da época e trabalhos de historiadores, Mansur conta uma história que a maioria dos cariocas desconhece, e que ajuda a entender um tanto da cidade atual.
Nos comentários sobre a última eleição municipal, houve quem apontasse um antagonismo entre Zona Sul e Zona Oeste. O que você acha disso?
AM - Acho que existe um antagonismo principalmente cultural. Na zona sul, você esbarra em teatros, cinemas, museus e centros culturais, enquanto na parte da zona oeste que estudo no livro (de Deodoro a Sepetiba) não há sequer uma livraria de peso. Em relação à memória da região, tema do meu livro, destaco uma instituição que faz um trabalho muito importante, que é o Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica (Noph), de Santa Cruz.
O título do livro sugere que a Zona Oeste do Rio foi, ou talvez ainda seja, uma espécie de terra sem lei. Essa percepção é correta?
AM-Na verdade, quando pensei no título, pensei principalmente na sonoridade dele e na curiosidade que poderia despertar, características que me foram confirmadas por muita gente que se sentiu atraída pelo título. No caso da “terra sem lei”, há alguns trechos que falo disso em relação aos problemas de limites e demarcação de algumas das antigas fazendas, que muitas vezes deram origem a conflitos.
O desenvolvimento urbano do Centro e da Zona Sul é razoavelmente conhecido, mas o da Zona Oeste não. Como ele se deu?
AM-Com exceção da Fábrica de Tecidos Bangu, foi basicamente um desenvolvimento agropastoril, com destaque para a Fazenda de Santa Cruz - uma das maiores do Brasil na época em que foi dos jesuítas e chamada de “jóia da Coroa” -, muitos engenhos e o ciclo da laranja, que fez de Campo Grande o maior produtor da fruta nos anos 30 e 40 do século passado. A exceção deste contexto foi a área entre Realengo e a Vila Militar, que, por opção estratégica, foi ocupada principalmente por quartéis do Exército.
Como estudar a história da Zona Oeste nos ajuda a entender o atual estado da região, e em particular seus problemas?
AM-Um dos grandes problemas da Zona Oeste é que ela passou de uma área rural para uma área urbana muito rapidamente nas últimas décadas. Não houve uma fase intermediária, uma fase sub-urbana. Com isso, surgiram diversos problemas, como crescimento populacional desordenado, trânsito caótico e diversas questões de “ordem pública”, para usar uma expressão que está na moda, como poluição sonora, por exemplo. Isso sem contar a degradação ambiental verificada nos parques florestais e no litoral, principalmente em Sepetiba e na Pedra de Guaratiba.
Quais foram os principais autores que registraram algo sobre a vida na Zona Oeste nos séculos anteriores?
AM-Além de autores importantes da região, como o historiador Benedicto Freitas, que escreveu uma coleção de três volumes sobre Santa Cruz, cito autores que dedicaram um bom espaço à região em livros sobre o Rio de Janeiro, como Brasil Gerson, Noronha Santos e Monsenhor Pizarro, sem contar os muitos visitantes europeus que estiveram na região, como a inglesa Maria Graham e o pintor francês Jean Baptiste Debret.
Durante sua pesquisa, o que te surpreendeu sobre a região?
AM-Sem dúvida, foi a história da Fazenda de Santa Cruz, principalmente do período a partir da chegada do príncipe-regente D. João, em 1808, que se apaixonou pela região e transformou o prédio principal da fazenda em palácio de veraneio. Saber que um bairro da zona oeste se tornava sede de um poderoso império durante vários meses do ano realmente me surpreendeu. E a excelente condição da sede da fazenda (hoje é a sede do Batalhão de Engenharia Militar Villagran Cabrita), sempre recebendo visitas de pesquisadores e alunos de escolas públicas, é uma referência perfeita de como pode e deve ser preservado o imenso patrimônio histórico da região.
Para quem gosta de história...
Anotações de Noronha Santos – Memórias para servir à história do Reino do Brasil / Luis Gonçalves do Santos, 1981 , Editora da universidade de São Paulo.
MARTIM AFONSO DE SOUZA - “O ano de 1531 assinala, não a 1 de Janeiro, mas em 31 de abril a chegada ao Rio de Janeiro da esquadrilha de Martim Afonso de Souza, cujo diário da navegação, escrito por Pero Lopes de Souza, irmão do chefe da expedição foi descoberto por Varnhagen em arquivo português e publicado no tomo XXIV”.
“Vinte e nove anos antes da chegada da expedição de Martim Afonso, uma esquadrilha de três caravelas descobrira a 1 de janeiro de 1502 a baía de Guanabara e, na suposição de se encontrarem os navegantes em frente à foz de um grande rio, deram-lhe a denominação – Rio de Janeiro – mais tarde transmitida ao continente. Alguns cronistas e historiadores registram,uns o nome de Gaspar de Lemos e outros o de Nuno Manuel, como chefes dessa expedição”.
“Rio Branco, em suas efemérides brasileiras (pág 21, 1938) atribui a André Gonçalves o comando da esquadrilha, na qual o célebre cosmógrafo florentino Américo Vespúcio tinha a mestrança de um dos navios. Mias duas expedições aqui aportaram, uma em 1503, sob o comando de Gonçalo Coelho, fundando um arraial e construindo a casa de pedra junto a foz do Rio Carioca (casa de branco) e a de Fernão Magalhães, em Dezembro de 1519, demorando-se de 13 a 26 desse mês nas águas guanabarinas, encontrando os expedicionários regular criação de galináceos e incipiente lavoura, introduzidos pela gente de Gonçalo Coelho”.
VILA VELHA – “A fundação da cidade do Rio de Janeiro a 1 de março de 1565 na várzea do cara de cão, atendeu à necessidade imperiosa de se exteriorizar o domínio português nas águas da Guanabara, para se contrapor às guerrilhas francesas e tamoias. A cidade se assemelhou mais a um acampamento, do que propriamente a um centro urbano de atividade civil. “ Levantamos esta cidade – disse o capitão mor Estácio de Sá – que ficará por memória do nosso heroísmo e de exemplo do valor às vindouras gerações, para ser a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo”. Em sessão prepraratória do primeiro congresso de história nacional, celebrada a 5 de julho de 1913, sob os auspícios do Instituto Histórico, resolveu se colocar uma pedra simbólica na várzea do Cara de Cão, assinalando os fundamentos da primitiva cidade.Após demoradas e pacientes investigações do historiador José Vieira Fazenda, assentou-se, a 20 de janeiro de 1915, um marco denominado praia de fora, na fortaleza de são João com a seguinte Inscrição”:
“Neste local foram lançados os primeiros fundamentos da cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro”
A INVASÃO FRANCESA DE DUCLERC – “João Francisco Duclerc, chefe da primeira invasão francesa no século XVIII, natural de guadelupe, tendo operado desembarque com sua gente em Guaratiba a 11 de setembro de 1710, acampou a 18 do mesmo mês no engenho velho dos Jesuítas, dispondo-se a atacar a cidade no dia seguinte. Compelido a render-se, só o fez, porém, depois de sanguinolento combate com as companhias de Bento do Amaral, Francisco Xavier, Gregório de Castro Morais, irmão do governador e de estudantes dos pátios do colégio dos jesuítas.Hostilizados pela artilharia do morro do castelo e envolvidos os franceses por sucessivas cargas de cavalaria, tendo a repeli-los os próprios moradores que os alvejaram com água e azeite ferventes, fortificaram-se no trapiche de Luiz da Mota, nas imediações da casa da Alfândega. Diante da resistência que opuseram os defensores da cidade, resolveram os franceses capitular. Prisioneiro, o chefe dos invasores, desde a manhã de 19 de Setembro, no convento do padres em companhia de oficiais e soldados, alguns dos quais foram removidos para diferentes lugares, passou depois para o forte de São Sebastião, de onde saiu com destino a casa do tenente Tomás Gomes da Silva, debaixo de severa vigilância. Ficava essa casa nas proximidades da igreja da Candelária, a pequena distância de um cruzeiro de pedra, na esquina das atuais rua da Quitanda e General Câmara (...) Pelas 8 horas da noite de 18 de março de 1711, quatro homens embuçados penetraram inopidamente naquela casa e assassinaram João Francisco Duclerc, que teve sepultura na capela de São Pedro. A verdadeira causa desse crime permanece até nosso dias envolta em impenetrável mistério. Na carta ao governo da metrópole escreveu Francisco de Castro morais, em 25 de julho de 1711, narrando os acontecimentos que culminaram com a vitória das armas portuguesas, declarou o governador do Rio de Janeiro que “Duclerc era um debochado e pretendera, com escritos, algumas mulheres honradas”.
MATADOURO DE SANTA LUZIA – “Na correição do ouvidor Antonio Pinheiro amado, procedida nos paços do conselho a 23 de abril de 1777, requereram os vereadores que sem demora, se fizesse um matadouro, porquanto o gado era abatido no campo e se cortava a carne na casa do açougue.Resolveu o alto magistrado mandar ocupar a casa que se havia concluído em Santa Luzia para outro fim, acrescentando-se-lhe,porém, os currais, destinados às rezes.No mesmo ano, o vice-rei Marquês de Lavradio determinou a instalação do matadouro para São Cristóvão – transferindo-se definitivamente em julho de 1853.Durante 28 anos esteve na chácara do curtume o matadouro o matadouro do Rio de Janeiro. A 2 de dezembro de 1881 instalou-se no curato de Santa Cruz, em terras então pertencentes à família imperial.” (...)
ANO DE 1813 – “Pelo decreto lei de 26 de julho houve o príncipe regente Nosso Senhor por bem ordenar, que os aforamentos atuais que se acham incluídos na demarcação da sua fazenda de Santa Cruz, sejam demarcados, e reduzidos a aforamentos perpétuos, na forma da ordenação do Reino, pagando os foros atualmente estipulados, ou os que sua alteza houver por bem, e os laudêmios de quarentena na vendas, e semelhantes alienações; com declaração, que nas demarcações se não deverão compreender (onde não houver já limites certos) terrenos, que ainda estejam em matos virgens, quando os prazos excederem a quatrocentas braças em quadro, ou o seu equivalente terreno, impondo-se a todos as condições, de que não poderão derribar os matos virgens nos altos das serras, e no cume dos montes, e as mais, que forme conformes a direito”.
“Pelo mesmo decreto mandou sua Alteza Real, que no sítio de Sepetiba se demarcasse o terreno conveniente para se fundar uma povoação para a comunidade dos pescadores, e pessoas, que ali habitam, designando-se o terreno, que for mais a propósito, e proporcionado à mesma povoação, o qual repartirá livre, sem mais foro do que um módico reconhecimento por cada morador, que agora, ou para o futuro ali edificar, para o senhorio do terreno, ou ele seja somente na fazenda de Santa Cruz, ou compreende em alguma outra das fazendas confinantes,,pois todas tem o ônus de dar terreno livre para povoações, que por ordens régias se houveram de fazer. Outrossim ordena sua alteza que nas divisões, e assinação dos terrenos, se seguirá a norma estabelecida na Câmara desta cidade, no que for aplicável, tanto para o número das braças, que devem assinar-se para cada edifício, como para o arruamento deles, assinando-se somente terrenos àqueles, que houverem de edificar.”
Suma Histórica da companhia de Jesus no Brasil (Assistência de Portugal) – 1549 –1760 – Serafim Leite – Junta de investigações do Ultramar – Lisboa 1965
Página 127 – “(...) em 1614, numa seca da Baía, organizaram-se muitas procissões rogativas ad petendam pluviam, participando o colégio com duas, uma dos estudantes da Congregação de Nossa Senhora, outra dos meninos da escola (...) começaram a entoar dois as ladainhas a porta da nossa igreja da banda de fora, e respondendo os mais se foram se forma pelas ruas principais da cidade, com edificação mui notável dos que os viam, não sabendo se se espantassem mais da ordem e concerto com que iam, se da devoção que mostravam (...) começou o ato com meninos, mas como se continuou e voltaram por adonde saíram, podia-se ver o acompanhamento de gente que traziam após si (...)”
“(...) Manifestações como esta, dada a irregularidade das chuvas no nordeste, repetiam-se com freqüência, nem havia colégio, residência, aldeia, que não organizasse as suas procissões, tanto titulares e litúrgicas como ocasionais (...) e que os documentos, aqui e além, recordam, como a procissão dos Passos no Maranhão (...) Acrescenta-se ainda as procissões das numerosas fazendas da companhia, entre outras a de Santa Cruz no Rio de Janeiro, cuja festa titular (Exaltação de Santa Cruz, 14 de Setembro) se concluía com uma procissão em que se incorporavam as confrarias da fazenda rematando com o Te Deum.”
“ As confrarias de fazendas agrícolas como esta de Santa Cruz, e as congregações marianas, como a da Baía acima nomeada, foram e são em todo o mundo católico válidos sustentáculos do culto divino”.
“(...) A Fazenda de Santa Cruz era uma povoação perfeita. Com tudo o que é indispensável a vida civilizada progressiva, com as características de grande estabelecimento agropecuário: igreja, vasta residência de sobrado, hospedaria, escola de rudimentos para os meninos da catequese, hospital, cadeia e variadas oficinas de trabalho sem excluir para o fim a de prata lavrada: ferraria, tecelagem, carpintaria, olaria, casa de cal, casa da farinha, descasca de arroz, casa de curtumes, engenhoca de aguardente,engenho de açúcar em construção, estaleiro onde se fabricavam canoas e até grandes sumacas. Roças de mandioca, feijão e algodão. E só no núcleo central da povoação as senzalas eram 232, onde as famílias viviam sobre si mesmas, à parte, se eram de prole numerosa.”
“Também se criava gado nessa modelar fazenda, mas este é já outro importante ramo de subsistência da companhia de Jesus no Brasil.” “(...) O seu gado Vacum em 1757 eram 9344 cabeças e dava anualmente ao colégio do Rio de Janeiro 500 reses. Em 1724 abasteceu de gado uma grande armada francesa que passou pelo Rio vinda do Peru (...)”“ Os Jesuítas construíram pontes (...) sobressaindo em obras hidráulicas a fazenda de santa Cruz no atual estado da Guanabara.
MARTIM AFONSO DE SOUZA - “O ano de 1531 assinala, não a 1 de Janeiro, mas em 31 de abril a chegada ao Rio de Janeiro da esquadrilha de Martim Afonso de Souza, cujo diário da navegação, escrito por Pero Lopes de Souza, irmão do chefe da expedição foi descoberto por Varnhagen em arquivo português e publicado no tomo XXIV”.
“Vinte e nove anos antes da chegada da expedição de Martim Afonso, uma esquadrilha de três caravelas descobrira a 1 de janeiro de 1502 a baía de Guanabara e, na suposição de se encontrarem os navegantes em frente à foz de um grande rio, deram-lhe a denominação – Rio de Janeiro – mais tarde transmitida ao continente. Alguns cronistas e historiadores registram,uns o nome de Gaspar de Lemos e outros o de Nuno Manuel, como chefes dessa expedição”.
“Rio Branco, em suas efemérides brasileiras (pág 21, 1938) atribui a André Gonçalves o comando da esquadrilha, na qual o célebre cosmógrafo florentino Américo Vespúcio tinha a mestrança de um dos navios. Mias duas expedições aqui aportaram, uma em 1503, sob o comando de Gonçalo Coelho, fundando um arraial e construindo a casa de pedra junto a foz do Rio Carioca (casa de branco) e a de Fernão Magalhães, em Dezembro de 1519, demorando-se de 13 a 26 desse mês nas águas guanabarinas, encontrando os expedicionários regular criação de galináceos e incipiente lavoura, introduzidos pela gente de Gonçalo Coelho”.
VILA VELHA – “A fundação da cidade do Rio de Janeiro a 1 de março de 1565 na várzea do cara de cão, atendeu à necessidade imperiosa de se exteriorizar o domínio português nas águas da Guanabara, para se contrapor às guerrilhas francesas e tamoias. A cidade se assemelhou mais a um acampamento, do que propriamente a um centro urbano de atividade civil. “ Levantamos esta cidade – disse o capitão mor Estácio de Sá – que ficará por memória do nosso heroísmo e de exemplo do valor às vindouras gerações, para ser a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo”. Em sessão prepraratória do primeiro congresso de história nacional, celebrada a 5 de julho de 1913, sob os auspícios do Instituto Histórico, resolveu se colocar uma pedra simbólica na várzea do Cara de Cão, assinalando os fundamentos da primitiva cidade.Após demoradas e pacientes investigações do historiador José Vieira Fazenda, assentou-se, a 20 de janeiro de 1915, um marco denominado praia de fora, na fortaleza de são João com a seguinte Inscrição”:
“Neste local foram lançados os primeiros fundamentos da cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro”
A INVASÃO FRANCESA DE DUCLERC – “João Francisco Duclerc, chefe da primeira invasão francesa no século XVIII, natural de guadelupe, tendo operado desembarque com sua gente em Guaratiba a 11 de setembro de 1710, acampou a 18 do mesmo mês no engenho velho dos Jesuítas, dispondo-se a atacar a cidade no dia seguinte. Compelido a render-se, só o fez, porém, depois de sanguinolento combate com as companhias de Bento do Amaral, Francisco Xavier, Gregório de Castro Morais, irmão do governador e de estudantes dos pátios do colégio dos jesuítas.Hostilizados pela artilharia do morro do castelo e envolvidos os franceses por sucessivas cargas de cavalaria, tendo a repeli-los os próprios moradores que os alvejaram com água e azeite ferventes, fortificaram-se no trapiche de Luiz da Mota, nas imediações da casa da Alfândega. Diante da resistência que opuseram os defensores da cidade, resolveram os franceses capitular. Prisioneiro, o chefe dos invasores, desde a manhã de 19 de Setembro, no convento do padres em companhia de oficiais e soldados, alguns dos quais foram removidos para diferentes lugares, passou depois para o forte de São Sebastião, de onde saiu com destino a casa do tenente Tomás Gomes da Silva, debaixo de severa vigilância. Ficava essa casa nas proximidades da igreja da Candelária, a pequena distância de um cruzeiro de pedra, na esquina das atuais rua da Quitanda e General Câmara (...) Pelas 8 horas da noite de 18 de março de 1711, quatro homens embuçados penetraram inopidamente naquela casa e assassinaram João Francisco Duclerc, que teve sepultura na capela de São Pedro. A verdadeira causa desse crime permanece até nosso dias envolta em impenetrável mistério. Na carta ao governo da metrópole escreveu Francisco de Castro morais, em 25 de julho de 1711, narrando os acontecimentos que culminaram com a vitória das armas portuguesas, declarou o governador do Rio de Janeiro que “Duclerc era um debochado e pretendera, com escritos, algumas mulheres honradas”.
MATADOURO DE SANTA LUZIA – “Na correição do ouvidor Antonio Pinheiro amado, procedida nos paços do conselho a 23 de abril de 1777, requereram os vereadores que sem demora, se fizesse um matadouro, porquanto o gado era abatido no campo e se cortava a carne na casa do açougue.Resolveu o alto magistrado mandar ocupar a casa que se havia concluído em Santa Luzia para outro fim, acrescentando-se-lhe,porém, os currais, destinados às rezes.No mesmo ano, o vice-rei Marquês de Lavradio determinou a instalação do matadouro para São Cristóvão – transferindo-se definitivamente em julho de 1853.Durante 28 anos esteve na chácara do curtume o matadouro o matadouro do Rio de Janeiro. A 2 de dezembro de 1881 instalou-se no curato de Santa Cruz, em terras então pertencentes à família imperial.” (...)
ANO DE 1813 – “Pelo decreto lei de 26 de julho houve o príncipe regente Nosso Senhor por bem ordenar, que os aforamentos atuais que se acham incluídos na demarcação da sua fazenda de Santa Cruz, sejam demarcados, e reduzidos a aforamentos perpétuos, na forma da ordenação do Reino, pagando os foros atualmente estipulados, ou os que sua alteza houver por bem, e os laudêmios de quarentena na vendas, e semelhantes alienações; com declaração, que nas demarcações se não deverão compreender (onde não houver já limites certos) terrenos, que ainda estejam em matos virgens, quando os prazos excederem a quatrocentas braças em quadro, ou o seu equivalente terreno, impondo-se a todos as condições, de que não poderão derribar os matos virgens nos altos das serras, e no cume dos montes, e as mais, que forme conformes a direito”.
“Pelo mesmo decreto mandou sua Alteza Real, que no sítio de Sepetiba se demarcasse o terreno conveniente para se fundar uma povoação para a comunidade dos pescadores, e pessoas, que ali habitam, designando-se o terreno, que for mais a propósito, e proporcionado à mesma povoação, o qual repartirá livre, sem mais foro do que um módico reconhecimento por cada morador, que agora, ou para o futuro ali edificar, para o senhorio do terreno, ou ele seja somente na fazenda de Santa Cruz, ou compreende em alguma outra das fazendas confinantes,,pois todas tem o ônus de dar terreno livre para povoações, que por ordens régias se houveram de fazer. Outrossim ordena sua alteza que nas divisões, e assinação dos terrenos, se seguirá a norma estabelecida na Câmara desta cidade, no que for aplicável, tanto para o número das braças, que devem assinar-se para cada edifício, como para o arruamento deles, assinando-se somente terrenos àqueles, que houverem de edificar.”
Suma Histórica da companhia de Jesus no Brasil (Assistência de Portugal) – 1549 –1760 – Serafim Leite – Junta de investigações do Ultramar – Lisboa 1965
Página 127 – “(...) em 1614, numa seca da Baía, organizaram-se muitas procissões rogativas ad petendam pluviam, participando o colégio com duas, uma dos estudantes da Congregação de Nossa Senhora, outra dos meninos da escola (...) começaram a entoar dois as ladainhas a porta da nossa igreja da banda de fora, e respondendo os mais se foram se forma pelas ruas principais da cidade, com edificação mui notável dos que os viam, não sabendo se se espantassem mais da ordem e concerto com que iam, se da devoção que mostravam (...) começou o ato com meninos, mas como se continuou e voltaram por adonde saíram, podia-se ver o acompanhamento de gente que traziam após si (...)”
“(...) Manifestações como esta, dada a irregularidade das chuvas no nordeste, repetiam-se com freqüência, nem havia colégio, residência, aldeia, que não organizasse as suas procissões, tanto titulares e litúrgicas como ocasionais (...) e que os documentos, aqui e além, recordam, como a procissão dos Passos no Maranhão (...) Acrescenta-se ainda as procissões das numerosas fazendas da companhia, entre outras a de Santa Cruz no Rio de Janeiro, cuja festa titular (Exaltação de Santa Cruz, 14 de Setembro) se concluía com uma procissão em que se incorporavam as confrarias da fazenda rematando com o Te Deum.”
“ As confrarias de fazendas agrícolas como esta de Santa Cruz, e as congregações marianas, como a da Baía acima nomeada, foram e são em todo o mundo católico válidos sustentáculos do culto divino”.
“(...) A Fazenda de Santa Cruz era uma povoação perfeita. Com tudo o que é indispensável a vida civilizada progressiva, com as características de grande estabelecimento agropecuário: igreja, vasta residência de sobrado, hospedaria, escola de rudimentos para os meninos da catequese, hospital, cadeia e variadas oficinas de trabalho sem excluir para o fim a de prata lavrada: ferraria, tecelagem, carpintaria, olaria, casa de cal, casa da farinha, descasca de arroz, casa de curtumes, engenhoca de aguardente,engenho de açúcar em construção, estaleiro onde se fabricavam canoas e até grandes sumacas. Roças de mandioca, feijão e algodão. E só no núcleo central da povoação as senzalas eram 232, onde as famílias viviam sobre si mesmas, à parte, se eram de prole numerosa.”
“Também se criava gado nessa modelar fazenda, mas este é já outro importante ramo de subsistência da companhia de Jesus no Brasil.” “(...) O seu gado Vacum em 1757 eram 9344 cabeças e dava anualmente ao colégio do Rio de Janeiro 500 reses. Em 1724 abasteceu de gado uma grande armada francesa que passou pelo Rio vinda do Peru (...)”“ Os Jesuítas construíram pontes (...) sobressaindo em obras hidráulicas a fazenda de santa Cruz no atual estado da Guanabara.
domingo, 7 de março de 2010
O que é um Ecomuseu? Qual a sua importância para a comunidade de Sepetiba/RJ?
Texto publicado originalmente no site Recanto das letras por Bianca Wild:
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/2122702
“ECOMUSEU é uma ação museológica consciente da COMUNIDADE com o objetivo de desenvolver o TERRITÓRIO que habita, a partir da valorização da História Local e do PATRIMÔNIO (natural e cultural) nele existente.” (Ângelo, Carvalho e Louvise; 2005 - Ecomuseu de Santa Cruz-Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro).
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/2122702
“ECOMUSEU é uma ação museológica consciente da COMUNIDADE com o objetivo de desenvolver o TERRITÓRIO que habita, a partir da valorização da História Local e do PATRIMÔNIO (natural e cultural) nele existente.” (Ângelo, Carvalho e Louvise; 2005 - Ecomuseu de Santa Cruz-Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro).
Sepetiba foi palco de importantes acontecimentos durante as três principais fases da história do país: Brasil Colônia, império e república; povoado pelos corajosos índios Tamoios, foi aldeamento jesuítico, cenário da batalha naval contra os holandeses, sua baía e praias serviram de local de desembarque para o quinto do ouro, tráfico do mesmo, tráfico de escravos,de pau-brasil, cenário da luta dos corsários dentre outros muitos acontecimentos. Personagens históricos passaram pelo bairro de Sepetiba e navegaram pela baía reconhecendo sua beleza e tranqüilidade, como D. João VI, D. Pedro I, D. Leopoldina, José Bonifácio, o Visconde de Sepetiba, Jean Baptiste Debret dentre muitos outros; abrigou republicanos e anti-republicanos; foi cenário da tragédia ocorrida durante o período de transição Império/República: o fuzilamento dos marinheiros na ilha da pescaria (Ilha dos marinheiros) dentre muitos outros acontecimentos não disseminados ou com sua veracidade ainda não comprovada.
Há indícios de que até mesmo os holandeses estiveram no local, além dos franceses é claro, que inclusive utilizaram a falta de monitoramento na Bahia de Sepetiba para invadirem a cidade, motivo pelo qual algum tempo depois D. João VI mandaria construir ali três fortes temendo uma outra invasão.
Algumas áreas do bairro possivelmente já eram habitadas por índios antes mesmo da chegada do homem branco, a prova disso encontra-se no fato de existirem três sambaquis no bairro devidamente descritos e registrados por arqueólogos, para nos assegurar da veracidade de tal afirmação basta consultar o livro Pré-história do estado do Rio de Janeiro de Maria da Conceição Moraes Coutinho Beltrão de 1978, além disso existem alguns relatos de que foram construídos pelos jesuítas túneis para facilitar fugas, transportes etc. na região, o que poderia ter sido preservado no caso de confirmada a informação. Estes são apenas alguns dos fatos que colocam Sepetiba em notória evidencia histórica.
Além da importância histórica Sepetiba ainda tem seus atributos naturais, por isso mesmo tantas personagens importantes na história do país encantaram-se com o lugar,além de artistas e naturalistas mas Sepetiba vem sendo vítima de um rápido processo de degradação há muitos anos, que vem se configurando desde o inicio do processo de crescimento da cidade, da indústria do Rio de Janeiro, enfim da expansão do capitalismo, a praia maravilhosa que era descrita em livros dos naturalistas e cientistas, pintada por artistas e da qual nossos avós tanto falavam em nada se parece hoje com as descrições que faziam dela.
As obras do Atual de Itaguaí não estavam concluídas em meados do século XX mas o estrago ocasionado pela INGÁ, dentre outros problemas como o crescimento populacional desordenado etc. já era impressionante, áreas de vegetação já haviam sido devastadas para construção de casas a vegetação nativa característica da região desapareceu, a mistura de esgoto despejado nas praias sem tratamento, lixo de todo tipo, material químico dentre outros elementos maléficos para a saúde dos humanos e dos animais, da vida em geral já era rotina no inicio na década de 1990.
A criação de um Ecomuseu em Sepetiba encaixa-se perfeitamente nas necessidades da comunidade e do meio ambiente da região, o Ecomuseu vai além da ecologia, seu conceito é muito mais complexo, o termo está ligado a numerosos outros conceitos como o de território, espaço como objeto de interpretação, sistema museográfico, instituição administrativa, reserva ambiental dentre outros, lugar de memória viva. Sepetiba é rica em histórias e memórias, havia no bairro diversos tipos de manifestações culturais, ocorriam saraus, cirandas, rodas de vários tipos, também há indícios da existência de um folclore local, mitos e lendas que eram contados para as crianças e que felizmente ainda perduram em alguns poucos discursos e relatos que precisam ser documentados e transmitidos para as futuras gerações.
Segundo Thompson (1992) é por meio da história que as pessoas comuns procuram compreender as “revoluções” e mudanças por que passam em suas próprias vidas: transformações sociais, culturais, guerras, mudanças comportamentais, econômicas, mudanças tecnológicas, degradação ambiental etc. Através da história local, um bairro ou uma cidade procura um sentido para sua própria natureza em mudança, em constante transformação e assim estabelecem-se os vínculos, foi isso o que aconteceu com muitos moradores que não são o que se pode chamar de “naturais” de Sepetiba, mas através do conhecimento da história local, do relato de moradores antigos, de velhos pescadores aprenderam a respeitar e a amar o bairro e resolveram então reagir quanto a isso, publicando textos na internet, criando blogs, perfis e comunidades em sites de relacionamento e, finalmente após o contato com os representantes do NOPH e do Ecomuseu Quarteirão Cultural do Matadouro nós, moradores entendemos o significado de Ecomuseu e percebemos como a criação do nosso seria primordial para que não deixemos acabar com o pouco que ainda nos resta de nossa memória e de nossa história.
Através das ações que vem ocorrendo na região a população local foi apresentada a sua história e “tomou de volta” suas memórias, coletando relatos dos moradores mais antigos, pesquisando em arquivos etc, e com a realização da Roda de Lembranças viabilizada pela I Jornada de Formação em Museologia Comunitária que nos colocou em contato direto com outras regiões do país que passaram por problemas semelhantes aos nossos, com o Ecomuseu Quarteirão Cultural do Matadouro, o NOPH e etc. , a nossa indignação foi transformada em ação e então partimos para a elaboração do projeto para o reconhecimento da comunidade como processo ecomuseológico.
Do vínculo com o passado se extrai a força para a formação da identidade (Bosi, 2004), o que ocorria em Sepetiba era um conflito identitário grave e a ausência de vínculo dos moradores mais jovens para com seu bairro e através da orientação dada pelo Ecomuseu de Santa Cruz e pelo NOPH essa situação vem se transformando.De acordo com Pacano (2005), a memória enquanto reconstrução do passado no presente, ou enquanto determinações do passado sobre o presente, pode tanto “escravizar” como “libertar”; os moradores de Sepetiba haviam até então acomodado-se a uma visão central, à interpretação dominante da história nacional que sempre os excluiu e os esqueceu ou (manipulou os registros) e entenderam que era preciso criar um novo conhecimento que valorizasse seu território, seu bairro, sua “terra”, sua história e ainda não acreditavam em sua própria força para a transformação.
O Ecomuseu deve ser uma expressão do homem e da natureza. Por isso, o objeto neste contexto não é apenas o homem ou o meio ambiente que o cerca, mas a relação que se dá entre os dois e todas as possíveis relações entre o homem e o Real que acontecem no território determinado.Este museu é uma expressão do tempo, quando a interpretação remonta desde o momento da aparição do homem dividindo-se através dos tempos pré-históricos e históricos para chegar no tempo do homem do presente.
O Ecomuseu, em sua multiplicidade comunitária constitui-se de uma comunidade e um objetivo: o desenvolvimento desta comunidade. Devido a todo o processo de degradação ambiental famílias inteiras viram-se desamparadas economicamente, pois viviam da pesca, do turismo, e de todo o resto de atividades econômicas relacionadas com o meio ambiente, com a baía de Sepetiba.Com a degradação da baía o único meio de subsistência dessas famílias foi tirado, já não podiam viver da pesca, de seus bares e restaurantes que vendiam o famoso peixe frito de Sepetiba, o delicioso camarão etc., toda a comunidade era voltada para atividades relacionadas com o turismo e a pesca, conseqüentemente dependia das temporadas de veraneio, há uma necessidade imensa de resgatarmos a auto-estima desses homens e mulheres que se sentiram impotentes diante da drástica transformação que ocorreu em suas vidas.
O Movimento Ecomuseu Sepetiba inicia uma luta para que a auto-estima dos moradores tão castigados com todo esse processo de degradação, com a precariedade e a exclusão social, cultural e econômica a que foram expostos voltem a sentir orgulho de si mesmos, de seu bairro, de sua história e de sua baía.
O Ecomuseu ao labutar em favor do desenvolvimento da comunidade, deve levar em conta os problemas e questões colocadas em seu âmago tratando-os de maneira crítica analítica estimulando o processo de conscientização e a criatividade da população, para isso utilizando as informações do seu passado e presente para que ela venha a pensar o futuro de forma questionadora e esperançosa. Nas palavras de Odalice Priosti de acordo com a sua experiência no Ecomuseu de Santa Cruz o Ecomuseu “é um espaço de relações entre uma comunidade e seu ambiente natural e cultural, onde se desenvolve, através das ações de iniciativa comunitária, um processo gradativamente consciente e pedagógico de patrimonialização, apropriação e responsabilização dessa comunidade com a transmissão, cuidado e transformação do patrimônio comum e, conseqüentemente, com a criação do patrimônio do futuro.
A partir dessa prática, a comunidade se conscientiza do seu papel e responsabilidade com o patrimônio, usando-o como um dos recursos para o desenvolvimento local. “Uma educação para a libertação e não para a dominação” plantar a semente, despertar o amor, o desejo de preservação e a conscientização dessas gerações é mister para o desenvolvimento da comunidade.
Nessa atuação pedagógico-museológica criam-se situações de pesquisa, leitura e interpretação do espaço/ território e das mudanças que nele ocorrem em função do tempo, de identificação e preservação de bens simbólicos coletivos, de construção de memória e identidade, de documentação. Sepetiba está viva, tem história e aqui existe muita vontade e amor, desejo de renovação e anseio de transformação, estamos prontos para começar essa empreitada, obrigada Odalice Priosti , Walter Priosti, Bruno Cruz , a todos do NOPH, a Hugue de Varine pelo apoio e orientação e estímulo que vem nos dando e a todos os moradores de Sepetiba, esse é só o começo.
Bibliografia:
SOARES, Bruno César Brulon. Revista Eletrônica Jovem Museologia - Estudos sobre museus, museologia e patrimônio. Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia Volume I Número 2 ,Agosto de 2006.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2004.
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. Pedagogia da Esperança - Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2004.
CLAIR, Jean. As origens da noção de ecomuseu. Cracap Informations, no. 2-3, 1976. p: 2-4. Trad: Tereza Scheiner.
MAGALDI, Monique Batista. Revista Eletrônica Jovem Museologia - Estudos sobre museus, museologia e patrimônio. O Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro de Santa Cruz: estrutura e propostas. Ano I, número 1, Janeiro de 2006.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
RODA DE LEMBRANÇAS - SEPETIBA Memórias dos pescadores
Texto publicado originalmente no site: Ciranda Internacional de Informação Independente em :30 de outubro de 2009 por Bianca Wild e no Jornal do NOPH
RODA DE LEMBRANÇAS - SEPETIBA
Memórias dos pescadores
No dia 25 de outubro de 2009, Sepetiba foi brindada pela presença dos participantes da I Jornada de Formação em Museologia Comunitária realizada pela SMC/ Coord. de Museus, Ecomuseu de Santa Cruz, NOPH, ABREMC, UMCO.
A inclusão do bairro no roteiro da Jornada através da realização da Roda de Lembranças no Centro Comunitário Santo Expedito proporcionou uma imensa alegria para aqueles que realmente defendem Sepetiba, reconhecem a importância do bairro e, principalmente sonham em ver o bairro senão como era antes, ao menos próximo do que desejam.
Os presentes tiveram o prazer de ouvir as narrativas de ícones locais, figuras quase emblemáticas como Seu Erasmo “o velho lobo do mar”, "Seu" Jorge Salviano estrelas de nossa roda de lembranças, além de moradores como Dona Ivonda, esposa de Sérgio Pinto,o próprio Sérgio Pinto, Conceição do Movimento Fé e política, Eliane Roxo (Fé e Política), Willian Coelho uma das lideranças locais, diga-se de passagem, a única a comparecer, infelizmente não pudemos contar com a presença de alguns líderes de organizações do bairro.
Compartilhamos vivências e histórias narrando a Sepetiba “de antigamente” descrevendo como se deu o rápido processo de degradação ambiental, o “esquecimento” das memórias, o desaparecimento das narrativas a respeito da história local dos discursos contemporâneos, e, nos surpreendemos quando uma participante do museu do Folclore de São José dos Campos - SP narrou sua experiência em Sepetiba durante a infância, que lhe causou uma cicatriz no dedo polegar, impressionada com a situação atual do bairro, das praias que ela havia conhecido em 1939 ficou muito emocionada e exaltou a memória local nos incentivando na preservação das narrativas, do meio ambiente e de todo patrimônio material, imaterial, tangível e intangivel que nos resta.
Nada mais justo aqui do que agradecer a Odalice Priosti e a Walter Priosti, aos professores Hugue de Varine e Teresa Morales(INAH-UMCO/México), aos representantes do Ecomuseu da Serra de Ouro Preto ( Yara Mattos, Bruno Bedim, Kátia Moreira e alunos da UFOP), a Patrícia Berg (UIMCA -RS), Bruno Cruz (NOPH/Ecomuseu), Rafael Muniz do Ecomuseu de Itaipu - PR, aos membros da equipe do Ecomuseu da Amazônia - Belém do Pará e, é claro, não podemos esquecer de agradecer a boa vontade desses homens que sempre lutaram por Sepetiba: "Seu" Erasmo e "seu" Salviano - ao movimento Fé e Política que cedeu o espaço para realização do evento, ao movimento Atitude Sepetiba por ter cedido o Som e o microfone - A presença de Claúdia representando a AMORES - aos poucos moradores (infelizmente) que compareceram prestigiando este evento tão significativo e de suma importância para o bairro.
Além da troca de experiências e do pronto apoio oferecido pelos membros das equipes dos ecomuseus participantes da Jornada, o evento também foi muito importante para nós, moradores de Sepetiba mais contemporâneos, pois ao ouvir os relatos, as narrativas, sentimos despertar um sentimento talvez um pouco adormecido: a auto-estima - enquanto moradores, muitas vezes nos sentimos um tanto o quanto desprezados pelas autoridades e até mesmo por moradores de bairros de outras regiões da cidade do Rio de Janeiro, contudo após a Roda de lembranças, concluímos que a situação de Sepetiba nem sempre foi essa que vemos agora, já tivemos notoriedade, Sepetiba já foi uma região disputada pelos chamados “veranistas” que muitas vezes não conseguiam alugar casas no bairro tamanha a procura, Sepetiba outrora fora freqüentada por figuras importantes, Personagens históricas passaram pelo bairro reconhecendo sua beleza e tranqüilidade, como D. João VI, D. Pedro I, D. Leopoldina, José Bonifácio, o Visconde de Sepetiba, Jean Baptiste Debret dentre muitos outros.
Enfim, as pessoas ao construírem histórias estão construindo a si mesmas e ao outro como seres sociais, pois as narrativas como uma forma de organização do discurso, têm o potencial de criar um sentido de nós mesmos ao permitir que negociemos e construamos as nossas identidades sociais por meio dos eventos narrados[1].
Narrar é construir-se, e não podemos deixar que as narrativas, patrimônio imaterial importantíssimo para a construção das identidades sejam perdidas, eventos deste tipo deveriam ser realizados regularmente, digo, Rodas de lembranças e de preferência com a presença dos jovens para que as narrativas não desapareçam.
Sepetiba é um bairro localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro onde ocorreram muitos eventos memoráveis no que concerne a formação do nosso país e a construção/formação da identidade nacional[2], é por meio da história que as pessoas comuns procuram compreender as “revoluções” e mudanças por que passam em suas próprias vidas: transformações sociais, culturais, guerras, mudanças comportamentais, econômicas, mudanças tecnológicas etc. Através da história local, um bairro ou uma cidade procura um sentido para sua própria natureza em mudança, em constante transformação e assim estabelecem-se os vínculos, necessários para mobilização e conseqüente desenvolvimento social de uma comunidade, de um povo. Thompson (1992)
[1] MOITA LOPES, L. P. da . Discursos de identidades. Campinas: Mercado de Letras, 2003, 153.
[2] Vale dizer que a memória e a identidade podem perfeitamente ser negociadas, e não são fenômenos que devam ser compreendidos como essenciais de uma pessoa ou de um grupo, porém acreditamos que quando um determinado grupo de pessoas não se sente integrado a um contexto social, cultural ou histórico específico pode conhecer um sentimento de descontinuidade e de ausência de referência incomodo e, muitas vezes desorientador, é o que ocorre com alguns moradores do bairro entrevistados.
RODA DE LEMBRANÇAS - SEPETIBA
Memórias dos pescadores
No dia 25 de outubro de 2009, Sepetiba foi brindada pela presença dos participantes da I Jornada de Formação em Museologia Comunitária realizada pela SMC/ Coord. de Museus, Ecomuseu de Santa Cruz, NOPH, ABREMC, UMCO.
A inclusão do bairro no roteiro da Jornada através da realização da Roda de Lembranças no Centro Comunitário Santo Expedito proporcionou uma imensa alegria para aqueles que realmente defendem Sepetiba, reconhecem a importância do bairro e, principalmente sonham em ver o bairro senão como era antes, ao menos próximo do que desejam.
Os presentes tiveram o prazer de ouvir as narrativas de ícones locais, figuras quase emblemáticas como Seu Erasmo “o velho lobo do mar”, "Seu" Jorge Salviano estrelas de nossa roda de lembranças, além de moradores como Dona Ivonda, esposa de Sérgio Pinto,o próprio Sérgio Pinto, Conceição do Movimento Fé e política, Eliane Roxo (Fé e Política), Willian Coelho uma das lideranças locais, diga-se de passagem, a única a comparecer, infelizmente não pudemos contar com a presença de alguns líderes de organizações do bairro.
Compartilhamos vivências e histórias narrando a Sepetiba “de antigamente” descrevendo como se deu o rápido processo de degradação ambiental, o “esquecimento” das memórias, o desaparecimento das narrativas a respeito da história local dos discursos contemporâneos, e, nos surpreendemos quando uma participante do museu do Folclore de São José dos Campos - SP narrou sua experiência em Sepetiba durante a infância, que lhe causou uma cicatriz no dedo polegar, impressionada com a situação atual do bairro, das praias que ela havia conhecido em 1939 ficou muito emocionada e exaltou a memória local nos incentivando na preservação das narrativas, do meio ambiente e de todo patrimônio material, imaterial, tangível e intangivel que nos resta.
Nada mais justo aqui do que agradecer a Odalice Priosti e a Walter Priosti, aos professores Hugue de Varine e Teresa Morales(INAH-UMCO/México), aos representantes do Ecomuseu da Serra de Ouro Preto ( Yara Mattos, Bruno Bedim, Kátia Moreira e alunos da UFOP), a Patrícia Berg (UIMCA -RS), Bruno Cruz (NOPH/Ecomuseu), Rafael Muniz do Ecomuseu de Itaipu - PR, aos membros da equipe do Ecomuseu da Amazônia - Belém do Pará e, é claro, não podemos esquecer de agradecer a boa vontade desses homens que sempre lutaram por Sepetiba: "Seu" Erasmo e "seu" Salviano - ao movimento Fé e Política que cedeu o espaço para realização do evento, ao movimento Atitude Sepetiba por ter cedido o Som e o microfone - A presença de Claúdia representando a AMORES - aos poucos moradores (infelizmente) que compareceram prestigiando este evento tão significativo e de suma importância para o bairro.
Além da troca de experiências e do pronto apoio oferecido pelos membros das equipes dos ecomuseus participantes da Jornada, o evento também foi muito importante para nós, moradores de Sepetiba mais contemporâneos, pois ao ouvir os relatos, as narrativas, sentimos despertar um sentimento talvez um pouco adormecido: a auto-estima - enquanto moradores, muitas vezes nos sentimos um tanto o quanto desprezados pelas autoridades e até mesmo por moradores de bairros de outras regiões da cidade do Rio de Janeiro, contudo após a Roda de lembranças, concluímos que a situação de Sepetiba nem sempre foi essa que vemos agora, já tivemos notoriedade, Sepetiba já foi uma região disputada pelos chamados “veranistas” que muitas vezes não conseguiam alugar casas no bairro tamanha a procura, Sepetiba outrora fora freqüentada por figuras importantes, Personagens históricas passaram pelo bairro reconhecendo sua beleza e tranqüilidade, como D. João VI, D. Pedro I, D. Leopoldina, José Bonifácio, o Visconde de Sepetiba, Jean Baptiste Debret dentre muitos outros.
Enfim, as pessoas ao construírem histórias estão construindo a si mesmas e ao outro como seres sociais, pois as narrativas como uma forma de organização do discurso, têm o potencial de criar um sentido de nós mesmos ao permitir que negociemos e construamos as nossas identidades sociais por meio dos eventos narrados[1].
Narrar é construir-se, e não podemos deixar que as narrativas, patrimônio imaterial importantíssimo para a construção das identidades sejam perdidas, eventos deste tipo deveriam ser realizados regularmente, digo, Rodas de lembranças e de preferência com a presença dos jovens para que as narrativas não desapareçam.
Sepetiba é um bairro localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro onde ocorreram muitos eventos memoráveis no que concerne a formação do nosso país e a construção/formação da identidade nacional[2], é por meio da história que as pessoas comuns procuram compreender as “revoluções” e mudanças por que passam em suas próprias vidas: transformações sociais, culturais, guerras, mudanças comportamentais, econômicas, mudanças tecnológicas etc. Através da história local, um bairro ou uma cidade procura um sentido para sua própria natureza em mudança, em constante transformação e assim estabelecem-se os vínculos, necessários para mobilização e conseqüente desenvolvimento social de uma comunidade, de um povo. Thompson (1992)
[1] MOITA LOPES, L. P. da . Discursos de identidades. Campinas: Mercado de Letras, 2003, 153.
[2] Vale dizer que a memória e a identidade podem perfeitamente ser negociadas, e não são fenômenos que devam ser compreendidos como essenciais de uma pessoa ou de um grupo, porém acreditamos que quando um determinado grupo de pessoas não se sente integrado a um contexto social, cultural ou histórico específico pode conhecer um sentimento de descontinuidade e de ausência de referência incomodo e, muitas vezes desorientador, é o que ocorre com alguns moradores do bairro entrevistados.
441 anos de Sepetiba - Comemorar e lembrar para evoluir?
Texto publicado originalmente no site Ciranda Internacional de Informação Independente em : 6 de agosto de 2008 por Bianca Wild
No último dia 5 de julho algo inusitado ocorreu em Sepetiba, finalmente o aniversário do bairro que um dia seria elevado a grande província pelo então príncipe regente D. João VI foi devidamente comemorado
Toda história depende de sua finalidade social, por isso, alguns moradores mais antigos buscaram durante algum tempo transmitir de geração em geração pela chamada “tradição oral” ou pela ínfima crônica escrita a importante história do bairro de Sepetiba, hoje esse costume se perdeu, pois os moradores conhecedores e disseminadores da história do bairro infelizmente não estão mais entre nós, seus familiares mudaram-se para outros bairros e agora cabe aos historiadores profissionais essa divulgação, o que de fato não vem ocorrendo, pois falta interesse pela historicidade desta região específica, apenas o núcleo (NOPH) localizado no ecomusseu de Santa CRuz ainda interessa-se pelo assunto, e,as nossas crianças aprendem o que alguns educadores sem o estabelecimento de um projeto político pedagógico sério que envolva a comunidade, concluem que seja importante para o desenvolvimento das mesmas não dando a mínima importancia para a questão da identidade histórica da localidade.
Por meio da história as pessoas comuns procuram compreender as “revoluções” e mudanças por que passam em suas próprias vidas: transformações sociais, guerras, mudanças de regime, mudanças de atitude da juventude, mudanças tecnológicas etc. Por meio da história local, um bairro ou uma cidade busca sentido para sua própria natureza em mudanças, em constante transformação e os novos moradores vindos de fora podem assim adquirir uma percepção das raízes pelo conhecimento pessoal da história. Por meio da história política e social ensinadas na escola, as crianças são levadas a “compreender” e a aceitar o modo pelo qual o sistema político e social em que vivem acabou sendo como é, e de que modo a força e o conflito têm desempenhado e continuam a desempenhar um papel nesta suposta evolução, ou seja, a escola foi e ainda é como disse Gramsci, um aparelho ideológico do estado, onde permanece a imposição das ideologias dominantes.
No último dia 5 de julho algo inusitado ocorreu em Sepetiba, finalmente o aniversário do bairro que um dia seria elevado a grande província pelo então príncipe regente D. João VI foi devidamente comemorado, ocorrendo juntamente com o resgate da importância histórica do bairro uma grande ação social, muito embora alguns ainda tenham muito que aprender, pois não pudemos contar com a presença dos alunos da rede pública municipal de ensino para realização do desfile, devido a interesses particularistas e políticos, nossos alunos foram privados de fazer valer seus direitos como cidadãos moradores do local, não obtendo autorização para participarem do desfile em homenagem ao bairro, contudo, alunos de algumas escolas privadas do bairro não deixaram a data passar em branco e não só participaram do desfile que a frente contava com um dos moradores mais ilustres de Sepetiba, o “Seu Erasmo”, velho lobo do mar e ferrenho defensor das causas ambientais na região, como também visitaram os stands presentes na festa, como o da CORES, denunciando toda a degradação ambiental que há muito vem ocorrendo com a nossa baía, e com a região em geral, do GAPZO (CEDAE) mostrando como é realizado o tratamento da água que chega até os nossos lares e o stand sobre a história do bairro onde podíamos observar a partir da exposição de murais uma espécie de retrospectiva da importante história do bairro, bem como participaram da aplicação de flúor realizada pelo projeto RONDON dentre outras tantas atividades realizadas, além é claro do “parabéns” para Sepetiba, que teve direito a bolo, a premiação para os 15 desenhos mais criativos feitos pelas crianças presentes no evento e no final foram exibidas denúncias em forma de documentário sobre a situação calamitosa de nossa baía, como o documentário histórias de pescador dirigido por Ernesto Xavier e Clementino Júnior, onde a degradação da Baía de Sepetiba (RJ) é transmitida através da ótica do mais velho pescador da região, Seu Erasmo.
Cabe aqui ressaltarmos que no dia 2 de setembro de 2007 ocorreu em Santa Cruz um desfile cívico em comemoração pelos 440 anos do bairro, com participação integral de escolas dentre outras instituições, pois contava com o apoio do então prefeito César Maia e de seus “seguidores”, infelizmente em nossa região as coisas funcionam desta maneira, tudo é feito à base da conivência e da conveniência, ninguém está interessado no bem estar e satisfação dos moradores e admiradores do bairro. Não posso aceitar isso, claro que o bairro de Santa Cruz tem tanta importância histórica como o nosso, afinal a ponte mais antiga da cidade encontra-se lá, construída pelos jesuítas ainda no século XVIII, lá encontrava-se a fazenda real etc, porém estes patrimônios históricos foram mantidos e até certo ponto preservados, o que não ocorreu com nosso bairro, o cais, os fortes, a casa da esquina, a própria fachada da igreja de São Pedro inaugurada em 1895 se não me engano, nada disso foi preservado, aliás, me surpreendi ao ver que a grande maioria dos moradores não tinha conhecimento destes fatos, nem mesmo da tragédia de 6 de Setembro de 1893, o fuzilamento de 21 marinheiros na então ilha da pescaria, por que isto ocorre com esse bairro?.
Exaltar a memória local não é algo sem validade, sem relevância, é algo muito importante, pois possibilita aos moradores conhecer um pouco mais a localidade onde moram e assim valoriza-la devidamente, estamos em pleno século XXI, vivemos em um mundo pós-moderno, e, como a mesma caracteriza-se cabe perfeitamente neste pequeno desabafo, pelo aumento frenético da velocidade de informação, a compressão dos entendimentos de tempo e de espaço, bem como pelo desinteresse pela história e pelo resgate da memória e da identidade histórica de determinadas regiões, ocorre fragmentação e descontinuidade, e conseqüentemente desmobilização, que podemos perceber claramente no caso de nosso bairro, desinteresse das populações locais para com a questão da preservação de patrimônios históricos, culturais, e acredito que estas transformações estão conduzindo a sociedade ao estabelecimento da chamada “amnésia coletiva” (Hanna Arendt, 1968), trazer a memória a baila significa romper com o processo de alienação, em minha concepção, restituindo assim a identidade dos sujeitos históricos (Pacano), de acordo com Pacano, a memória enquanto reconstrução do passado no presente e/ou enquanto determinações do passado sobre o presente pode tanto “escravizar” como “libertar”, a lembrança e o esquecimento, manifestações da memória dos indivíduos, só adquirem real significado e mais amplo se analisados na especificidade do contexto histórico de sua construção passada e de sua narração presente.
Como conseqüência, debruçar-se sobre a memória não significa a reconstrução integral de como teria sido o passado, pois este já foi, mais sim a presença deste no presente, consciente ou inconsciente (Pacano). Observa-se como os moradores de Sepetiba foram manipulados e, até hoje o são, pelas autoridades que nunca se interessaram pelo resgate da história local, visando apenas eleger-se e/ou algum outro tipo de vantagem sobre os indefesos, despolitizados e muitas vezes alienados moradores de Sepetiba. Segundo Pollak podemos dizer que a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua construção de si, acredito que a maioria dos males causados ao bairro de Sepetiba e conseqüentemente a sua população estão relacionados direta ou indiretamente ao fato de que a grande parte da população local não possui este sentimento de continuidade e de identidade com o local, direcionado é claro a importância histórica do mesmo. É muito triste concluir que não ouve interesse por parte das autoridades e dos moradores responsáveis (líderes)em manter essa história viva, não é justo que isso ocorra com nosso bairro, que nossas crianças e adolescentes tenham vergonha de dizer que moram em Sepetiba, porque são expostos a exclusão social e cultural total, a péssimas condições de transporte e não possuem nenhum motivo para orgulharem-se de morar neste Oásis em meio a toda correria do mundo urbano.
Por isso este evento foi realizado, objetivando o resgate de nossas raízes, da auto-estima dos moradores e, é claro ao contrário do que alguns nos disseram, temos sim o que comemorar, pois mesmo em meio a todo descaso, degradação e esquecimento, alguns ainda lutam fervorosamente por nosso bairro, buscam enaltece-lo, eleva-lo, melhorar as condições de vida dos moradores, conscientizar as crianças e adolescentes, e mesmo com tudo isso, se nos dirigirmos a praia de Sepetiba, em um belo dia sol, no final da tarde, podemos ver como ainda é bela muito embora tão degradada e o porque de a família real e a elite carioca ter escolhido este recanto por muito tempo como seu balneário preferido.
No último dia 5 de julho algo inusitado ocorreu em Sepetiba, finalmente o aniversário do bairro que um dia seria elevado a grande província pelo então príncipe regente D. João VI foi devidamente comemorado
Toda história depende de sua finalidade social, por isso, alguns moradores mais antigos buscaram durante algum tempo transmitir de geração em geração pela chamada “tradição oral” ou pela ínfima crônica escrita a importante história do bairro de Sepetiba, hoje esse costume se perdeu, pois os moradores conhecedores e disseminadores da história do bairro infelizmente não estão mais entre nós, seus familiares mudaram-se para outros bairros e agora cabe aos historiadores profissionais essa divulgação, o que de fato não vem ocorrendo, pois falta interesse pela historicidade desta região específica, apenas o núcleo (NOPH) localizado no ecomusseu de Santa CRuz ainda interessa-se pelo assunto, e,as nossas crianças aprendem o que alguns educadores sem o estabelecimento de um projeto político pedagógico sério que envolva a comunidade, concluem que seja importante para o desenvolvimento das mesmas não dando a mínima importancia para a questão da identidade histórica da localidade.
Por meio da história as pessoas comuns procuram compreender as “revoluções” e mudanças por que passam em suas próprias vidas: transformações sociais, guerras, mudanças de regime, mudanças de atitude da juventude, mudanças tecnológicas etc. Por meio da história local, um bairro ou uma cidade busca sentido para sua própria natureza em mudanças, em constante transformação e os novos moradores vindos de fora podem assim adquirir uma percepção das raízes pelo conhecimento pessoal da história. Por meio da história política e social ensinadas na escola, as crianças são levadas a “compreender” e a aceitar o modo pelo qual o sistema político e social em que vivem acabou sendo como é, e de que modo a força e o conflito têm desempenhado e continuam a desempenhar um papel nesta suposta evolução, ou seja, a escola foi e ainda é como disse Gramsci, um aparelho ideológico do estado, onde permanece a imposição das ideologias dominantes.
No último dia 5 de julho algo inusitado ocorreu em Sepetiba, finalmente o aniversário do bairro que um dia seria elevado a grande província pelo então príncipe regente D. João VI foi devidamente comemorado, ocorrendo juntamente com o resgate da importância histórica do bairro uma grande ação social, muito embora alguns ainda tenham muito que aprender, pois não pudemos contar com a presença dos alunos da rede pública municipal de ensino para realização do desfile, devido a interesses particularistas e políticos, nossos alunos foram privados de fazer valer seus direitos como cidadãos moradores do local, não obtendo autorização para participarem do desfile em homenagem ao bairro, contudo, alunos de algumas escolas privadas do bairro não deixaram a data passar em branco e não só participaram do desfile que a frente contava com um dos moradores mais ilustres de Sepetiba, o “Seu Erasmo”, velho lobo do mar e ferrenho defensor das causas ambientais na região, como também visitaram os stands presentes na festa, como o da CORES, denunciando toda a degradação ambiental que há muito vem ocorrendo com a nossa baía, e com a região em geral, do GAPZO (CEDAE) mostrando como é realizado o tratamento da água que chega até os nossos lares e o stand sobre a história do bairro onde podíamos observar a partir da exposição de murais uma espécie de retrospectiva da importante história do bairro, bem como participaram da aplicação de flúor realizada pelo projeto RONDON dentre outras tantas atividades realizadas, além é claro do “parabéns” para Sepetiba, que teve direito a bolo, a premiação para os 15 desenhos mais criativos feitos pelas crianças presentes no evento e no final foram exibidas denúncias em forma de documentário sobre a situação calamitosa de nossa baía, como o documentário histórias de pescador dirigido por Ernesto Xavier e Clementino Júnior, onde a degradação da Baía de Sepetiba (RJ) é transmitida através da ótica do mais velho pescador da região, Seu Erasmo.
Cabe aqui ressaltarmos que no dia 2 de setembro de 2007 ocorreu em Santa Cruz um desfile cívico em comemoração pelos 440 anos do bairro, com participação integral de escolas dentre outras instituições, pois contava com o apoio do então prefeito César Maia e de seus “seguidores”, infelizmente em nossa região as coisas funcionam desta maneira, tudo é feito à base da conivência e da conveniência, ninguém está interessado no bem estar e satisfação dos moradores e admiradores do bairro. Não posso aceitar isso, claro que o bairro de Santa Cruz tem tanta importância histórica como o nosso, afinal a ponte mais antiga da cidade encontra-se lá, construída pelos jesuítas ainda no século XVIII, lá encontrava-se a fazenda real etc, porém estes patrimônios históricos foram mantidos e até certo ponto preservados, o que não ocorreu com nosso bairro, o cais, os fortes, a casa da esquina, a própria fachada da igreja de São Pedro inaugurada em 1895 se não me engano, nada disso foi preservado, aliás, me surpreendi ao ver que a grande maioria dos moradores não tinha conhecimento destes fatos, nem mesmo da tragédia de 6 de Setembro de 1893, o fuzilamento de 21 marinheiros na então ilha da pescaria, por que isto ocorre com esse bairro?.
Exaltar a memória local não é algo sem validade, sem relevância, é algo muito importante, pois possibilita aos moradores conhecer um pouco mais a localidade onde moram e assim valoriza-la devidamente, estamos em pleno século XXI, vivemos em um mundo pós-moderno, e, como a mesma caracteriza-se cabe perfeitamente neste pequeno desabafo, pelo aumento frenético da velocidade de informação, a compressão dos entendimentos de tempo e de espaço, bem como pelo desinteresse pela história e pelo resgate da memória e da identidade histórica de determinadas regiões, ocorre fragmentação e descontinuidade, e conseqüentemente desmobilização, que podemos perceber claramente no caso de nosso bairro, desinteresse das populações locais para com a questão da preservação de patrimônios históricos, culturais, e acredito que estas transformações estão conduzindo a sociedade ao estabelecimento da chamada “amnésia coletiva” (Hanna Arendt, 1968), trazer a memória a baila significa romper com o processo de alienação, em minha concepção, restituindo assim a identidade dos sujeitos históricos (Pacano), de acordo com Pacano, a memória enquanto reconstrução do passado no presente e/ou enquanto determinações do passado sobre o presente pode tanto “escravizar” como “libertar”, a lembrança e o esquecimento, manifestações da memória dos indivíduos, só adquirem real significado e mais amplo se analisados na especificidade do contexto histórico de sua construção passada e de sua narração presente.
Como conseqüência, debruçar-se sobre a memória não significa a reconstrução integral de como teria sido o passado, pois este já foi, mais sim a presença deste no presente, consciente ou inconsciente (Pacano). Observa-se como os moradores de Sepetiba foram manipulados e, até hoje o são, pelas autoridades que nunca se interessaram pelo resgate da história local, visando apenas eleger-se e/ou algum outro tipo de vantagem sobre os indefesos, despolitizados e muitas vezes alienados moradores de Sepetiba. Segundo Pollak podemos dizer que a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua construção de si, acredito que a maioria dos males causados ao bairro de Sepetiba e conseqüentemente a sua população estão relacionados direta ou indiretamente ao fato de que a grande parte da população local não possui este sentimento de continuidade e de identidade com o local, direcionado é claro a importância histórica do mesmo. É muito triste concluir que não ouve interesse por parte das autoridades e dos moradores responsáveis (líderes)em manter essa história viva, não é justo que isso ocorra com nosso bairro, que nossas crianças e adolescentes tenham vergonha de dizer que moram em Sepetiba, porque são expostos a exclusão social e cultural total, a péssimas condições de transporte e não possuem nenhum motivo para orgulharem-se de morar neste Oásis em meio a toda correria do mundo urbano.
Por isso este evento foi realizado, objetivando o resgate de nossas raízes, da auto-estima dos moradores e, é claro ao contrário do que alguns nos disseram, temos sim o que comemorar, pois mesmo em meio a todo descaso, degradação e esquecimento, alguns ainda lutam fervorosamente por nosso bairro, buscam enaltece-lo, eleva-lo, melhorar as condições de vida dos moradores, conscientizar as crianças e adolescentes, e mesmo com tudo isso, se nos dirigirmos a praia de Sepetiba, em um belo dia sol, no final da tarde, podemos ver como ainda é bela muito embora tão degradada e o porque de a família real e a elite carioca ter escolhido este recanto por muito tempo como seu balneário preferido.
A história perdida de Sepetiba
Texto publicado originalmente no site Ciranda Internacional de Informação Independente em: 26 de novembro de 2007 por Bianca Wild
Busco neste texto demonstrar a relevância e importância da realização de uma pesquisa que procure justificar, ou melhor, explicar a descaracterização, a perda da história do bairro de Sepetiba, localizado no município do Rio de Janeiro/RJ tendo sua fundação datada do dia 5 de julho de 1567 com a chegada dos índios Tamoios.
Acredito ser necessária uma explicação ao menos para o desaparecimento “misterioso” de algumas construções de importância histórica não apenas para a localidade, mas sim, para o país, localizadas neste bairro, e também para o silenciamento no que concerne a disseminação da importância histórica do bairro, nas escolas locais em geral não se faz menção ao fato e muito menos se busca resgatar a identidade histórica do local.
Em uma de minhas tentativas em encontrar informações relevantes sobre o bairro não obtive muito sucesso, claro que me refiro aqui a uma busca superficial, e não à nível de pesquisa científica; pesquisei na internet e não encontrei muita coisa além de algumas fotos equivocadas , pois retratavam imediações como a praia da brisa e pedra de Guaratiba, que não fazem parte do bairro, claro que encontramos também fotos e vídeos do local, mas em número muito pequeno, também encontrei textos sobre o bairro de santa cruz e sua história, com menções muito superficiais ao bairro de Sepetiba, e finalmente encontrei a lei sancionada pelo vereador Jerominho onde ficava estabelecida a data de aniversário do bairro em 5 de julho, e a nível de produção literária, pesquisa etc, a única publicação que encontrei foi a obra de autoria de Alcebíades Francisco Rosa, além disso se conversarmos com os moradores do local, mesmo os mais antigos podemos notar que muito do que se sabe sobre a história do bairro acabou se perdendo, pois foi transmitida somente por meio da tradição oral.
O que mais me deixa indignada é o fato de que Sepetiba deveria ter sido reconhecida como segundo município do Rio de Janeiro devido a sua fundação datar de 1567, pelos índios tamoios.
O então príncipe regente D. João VI, reconheceu a área e terminou por baixar um decreto lei em 26 de julho de 1813, onde no mesmo ficava estabelecida a doação das terras correspondentes à área de Sepetiba aos antigos moradores (pescadores e lavradores), dividindo a terra em sítios; porém segundo Alcebíades Rosa, um dos “sitiantes” acabou perdendo suas terras em uma mesa de jogo, de um dos cassinos pertencentes a uma família conhecida como “Monastere”, que ficou com a posse do sítio, e desonestamente tentou o desmembramento das terras incluindo toda a área de fundação de Sepetiba, no processo conhecido como “Fazenda Piaí”; o paço imperial negou o recurso impetrado por tratar-se da área preservada pelo decreto lei de 26 de julho de 1813. De acordo com Alcebíades Rosa, não se sabe ao certo as razões pelas quais o antigo domínio da união “departamento de terras da união”, não se manifestou à respeito, deixando ocorrer na região de Sepetiba vários negócios ilícitos com as terras a partir de conivências cartoriais.
Talvez se Alcebíades Rosa não tivesse escrito esta obra sobre a história de Sepetiba, não teríamos conhecimento destes acontecimentos, muito embora que mesmo sendo de extrema valia, “a história de Sepetiba” ainda é muito superficial, acredito que talvez pela falta de fontes de pesquisa já que o livro por completo foi baseado em entrevistas, relatos de moradores antigos.
Alcebíades Francisco Rosa defende em sua obra a hipótese de que o progresso do bairro foi afetado por falta de pulso por parte dos órgãos federais no que diz respeito à lei imperial e ressalva que se não fossem os pescadores e lavradores, antigos moradores do local e o professor oficial da marinha Antonio Cerqueira Fontes (ocorrendo aqui uma dúvida, pois ao final do livro o autor agradece ao professor oficial da marinha “Arandu” de Cerqueira Fontes), ele mesmo jamais poderia ter concluído esta obra, pois ninguém saberia desta parte específica da história de Sepetiba; isto porque segundo o autor o desejo dos antigos republicanos era que Sepetiba se tornasse um local esquecido, desconhecido de todos, com o objetivo de esconder as atrocidades realizadas por eles neste local.
De acordo com Francisco Rosa, D. João VI e a corte foram convencidos a visitar Sepetiba pelos padres da companhia de Jesus e após percorrer o litoral decidiu que o mesmo seria apropriado para a navegação; e ordenou a construção de um cais, na localidade conhecida como “ilha da pescaria” e de duas pontes ligando a ilha ao continente, e antes mesmo da inauguração do cais e das pontes, três vapores foram utilizados para o transporte de carga e passageiros entre Sepetiba e o porto de Santos, e assim o príncipe regente elevou Sepetiba a condição de província, o que nunca havia aprendido na escola, ou melhor nunca havia ouvido falar.
Outro fato muito confuso e misterioso é que D, João VI havia mandado que fossem construídos dois fortes, o primeiro chamou-se de “Forte de São Pedro” localizado no morro de Sepetiba, na época conhecido como “mirante”, onde hoje encontra-se o radar da base aérea de santa cruz, o segundo forte chamou-se “São Leopoldo”, construído no então “morro do Piranga” hoje conhecido como Ipiranga localizado na divisão entre a praia de D. Luiza ( Recôncavo ) e a praia do Cardo, a dúvida e/ou o mistério: Por que não houve interesse em manter-se erguida as construções? Ou mesmo no caso de terem sido parcialmente destruídas e/ou estarem danificadas pelo tempo, em condições ruins, porque não mantê-las ali, em seu local de origem? Porque não nos restaram ao menos ruínas? Pedaços? Nada que nos remeta aos fortes antes ali existentes? Ou ao Cais?
O fato de que a família real freqüentava Sepetiba durante o verão, possuía uma área de lazer onde se encontra hoje a praça Washington Luiz, quase nunca é mencionado, em Sepetiba eram realizadas belíssimas touradas com toureadores vindos diretamente da Espanha, também eram realizados saraus maravilhosos etc., Também não se divulga o fato de que o conhecido Visconde de Sepetiba (Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, nascido em Niterói,que foi um juiz de órfãos e político brasileiro.Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, deputado geral, presidente das Províncias de São Paulo e do Rio de Janeiro, ministro da Justiça (1840) e dos Negócios Estrangeiros (1841), e senador do Império do Brasil de 1843 a 1855. Líder do chamado Clube da Joana, exerceu enorme influência sobre o Imperador D. Pedro II no início de seu reinado), possuía uma casa (Casa da Esquina) no bairro de Sepetiba que confrontava com a colônia Z15 (pescadores). Com o advento da proclamação da república em 1889, as coisas começaram a modificar-se bastante para Sepetiba, segundo Alcebíades Rosa, insurretos da revolução armada ocorrida em santa Catarina, estavam a bordo de um navio a caminho do Rio de Janeiro que teria sido atingido justamente na praia de Sepetiba ao cruzarem a baía (o nome deste navio no livro de Alcebíades Rosa consta como “Custódio de Mello” o que é impossível, pois o primeiro navio lançado ao mar com este nome data do ano de 1954, e além disso o referido almirante Custódio de Melllo ainda estava vivo, logo não poderia receber homenagem póstuma e teria participado da revolução da armada), os tripulantes teriam sido presos, levados para a chamada ilha da pescaria e fuzilados, sabemos disso por intermédio de Alcebíades Rosa e dos relatos dos moradores mais antigos dados a ele, que talvez não estejam mais entre nós, a questão é: Será verdade? Existem inúmeras histórias envolvendo Sepetiba, e até mesmo esta obra de Alcebíades não possui muito respaldo histórico, pois é basicamente composta por relatos de moradores antigos, não possuí ao menos referências bibliográficas, anexos de documentos etc.
Sepetiba ao que tudo indica possui uma história rica, repleta de acontecimentos importantes para a formação do país, a história desta localidade precisa ser resgatada, contada, e assim estimular-se à auto estima dos moradores desse bairro que um dia seria província, julgo primordial esse resgate e a realização de uma pesquisa que busque comprovar e descobrir as verdades, causas, historicidade etc deste local e uma explicação para o tamanho descaso para com a identidade histórica de Sepetiba, acredito ser muito importante a disseminação de um estudo (pesquisa) sobre esta descaracterização e destruição da historicidade local para os estudantes não só do curso de história mas também de outros cursos moradores da zona oeste e é claro para a população local, pois uma história não pode ser esquecida, apagada, destruída desta forma, sem constrangimentos, sem motivos, causas ou culpados a serem apontados. Bianca Wild
Links interessantes:
http://emendasesonetos.blogspot.com/2007/10/estrada-real-de-santa-cruz.html
ttp://www.ihp.org.br/docs/fprl20001001t.htm
http://www.unicamp.br/iel/memoria/base_temporal/Historia/index.htm
http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/filipinas/l4pa1027.htm
http://www.brown.edu/Facilities/John_Carter_Brown_Library/CB/indexes/laws_1813_p1.html
http://www.brown.edu/Facilities/John_Carter_Brown_Library/CB/1813_docs/L10_p01.html
Busco neste texto demonstrar a relevância e importância da realização de uma pesquisa que procure justificar, ou melhor, explicar a descaracterização, a perda da história do bairro de Sepetiba, localizado no município do Rio de Janeiro/RJ tendo sua fundação datada do dia 5 de julho de 1567 com a chegada dos índios Tamoios.
Acredito ser necessária uma explicação ao menos para o desaparecimento “misterioso” de algumas construções de importância histórica não apenas para a localidade, mas sim, para o país, localizadas neste bairro, e também para o silenciamento no que concerne a disseminação da importância histórica do bairro, nas escolas locais em geral não se faz menção ao fato e muito menos se busca resgatar a identidade histórica do local.
Em uma de minhas tentativas em encontrar informações relevantes sobre o bairro não obtive muito sucesso, claro que me refiro aqui a uma busca superficial, e não à nível de pesquisa científica; pesquisei na internet e não encontrei muita coisa além de algumas fotos equivocadas , pois retratavam imediações como a praia da brisa e pedra de Guaratiba, que não fazem parte do bairro, claro que encontramos também fotos e vídeos do local, mas em número muito pequeno, também encontrei textos sobre o bairro de santa cruz e sua história, com menções muito superficiais ao bairro de Sepetiba, e finalmente encontrei a lei sancionada pelo vereador Jerominho onde ficava estabelecida a data de aniversário do bairro em 5 de julho, e a nível de produção literária, pesquisa etc, a única publicação que encontrei foi a obra de autoria de Alcebíades Francisco Rosa, além disso se conversarmos com os moradores do local, mesmo os mais antigos podemos notar que muito do que se sabe sobre a história do bairro acabou se perdendo, pois foi transmitida somente por meio da tradição oral.
O que mais me deixa indignada é o fato de que Sepetiba deveria ter sido reconhecida como segundo município do Rio de Janeiro devido a sua fundação datar de 1567, pelos índios tamoios.
O então príncipe regente D. João VI, reconheceu a área e terminou por baixar um decreto lei em 26 de julho de 1813, onde no mesmo ficava estabelecida a doação das terras correspondentes à área de Sepetiba aos antigos moradores (pescadores e lavradores), dividindo a terra em sítios; porém segundo Alcebíades Rosa, um dos “sitiantes” acabou perdendo suas terras em uma mesa de jogo, de um dos cassinos pertencentes a uma família conhecida como “Monastere”, que ficou com a posse do sítio, e desonestamente tentou o desmembramento das terras incluindo toda a área de fundação de Sepetiba, no processo conhecido como “Fazenda Piaí”; o paço imperial negou o recurso impetrado por tratar-se da área preservada pelo decreto lei de 26 de julho de 1813. De acordo com Alcebíades Rosa, não se sabe ao certo as razões pelas quais o antigo domínio da união “departamento de terras da união”, não se manifestou à respeito, deixando ocorrer na região de Sepetiba vários negócios ilícitos com as terras a partir de conivências cartoriais.
Talvez se Alcebíades Rosa não tivesse escrito esta obra sobre a história de Sepetiba, não teríamos conhecimento destes acontecimentos, muito embora que mesmo sendo de extrema valia, “a história de Sepetiba” ainda é muito superficial, acredito que talvez pela falta de fontes de pesquisa já que o livro por completo foi baseado em entrevistas, relatos de moradores antigos.
Alcebíades Francisco Rosa defende em sua obra a hipótese de que o progresso do bairro foi afetado por falta de pulso por parte dos órgãos federais no que diz respeito à lei imperial e ressalva que se não fossem os pescadores e lavradores, antigos moradores do local e o professor oficial da marinha Antonio Cerqueira Fontes (ocorrendo aqui uma dúvida, pois ao final do livro o autor agradece ao professor oficial da marinha “Arandu” de Cerqueira Fontes), ele mesmo jamais poderia ter concluído esta obra, pois ninguém saberia desta parte específica da história de Sepetiba; isto porque segundo o autor o desejo dos antigos republicanos era que Sepetiba se tornasse um local esquecido, desconhecido de todos, com o objetivo de esconder as atrocidades realizadas por eles neste local.
De acordo com Francisco Rosa, D. João VI e a corte foram convencidos a visitar Sepetiba pelos padres da companhia de Jesus e após percorrer o litoral decidiu que o mesmo seria apropriado para a navegação; e ordenou a construção de um cais, na localidade conhecida como “ilha da pescaria” e de duas pontes ligando a ilha ao continente, e antes mesmo da inauguração do cais e das pontes, três vapores foram utilizados para o transporte de carga e passageiros entre Sepetiba e o porto de Santos, e assim o príncipe regente elevou Sepetiba a condição de província, o que nunca havia aprendido na escola, ou melhor nunca havia ouvido falar.
Outro fato muito confuso e misterioso é que D, João VI havia mandado que fossem construídos dois fortes, o primeiro chamou-se de “Forte de São Pedro” localizado no morro de Sepetiba, na época conhecido como “mirante”, onde hoje encontra-se o radar da base aérea de santa cruz, o segundo forte chamou-se “São Leopoldo”, construído no então “morro do Piranga” hoje conhecido como Ipiranga localizado na divisão entre a praia de D. Luiza ( Recôncavo ) e a praia do Cardo, a dúvida e/ou o mistério: Por que não houve interesse em manter-se erguida as construções? Ou mesmo no caso de terem sido parcialmente destruídas e/ou estarem danificadas pelo tempo, em condições ruins, porque não mantê-las ali, em seu local de origem? Porque não nos restaram ao menos ruínas? Pedaços? Nada que nos remeta aos fortes antes ali existentes? Ou ao Cais?
O fato de que a família real freqüentava Sepetiba durante o verão, possuía uma área de lazer onde se encontra hoje a praça Washington Luiz, quase nunca é mencionado, em Sepetiba eram realizadas belíssimas touradas com toureadores vindos diretamente da Espanha, também eram realizados saraus maravilhosos etc., Também não se divulga o fato de que o conhecido Visconde de Sepetiba (Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, nascido em Niterói,que foi um juiz de órfãos e político brasileiro.Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, deputado geral, presidente das Províncias de São Paulo e do Rio de Janeiro, ministro da Justiça (1840) e dos Negócios Estrangeiros (1841), e senador do Império do Brasil de 1843 a 1855. Líder do chamado Clube da Joana, exerceu enorme influência sobre o Imperador D. Pedro II no início de seu reinado), possuía uma casa (Casa da Esquina) no bairro de Sepetiba que confrontava com a colônia Z15 (pescadores). Com o advento da proclamação da república em 1889, as coisas começaram a modificar-se bastante para Sepetiba, segundo Alcebíades Rosa, insurretos da revolução armada ocorrida em santa Catarina, estavam a bordo de um navio a caminho do Rio de Janeiro que teria sido atingido justamente na praia de Sepetiba ao cruzarem a baía (o nome deste navio no livro de Alcebíades Rosa consta como “Custódio de Mello” o que é impossível, pois o primeiro navio lançado ao mar com este nome data do ano de 1954, e além disso o referido almirante Custódio de Melllo ainda estava vivo, logo não poderia receber homenagem póstuma e teria participado da revolução da armada), os tripulantes teriam sido presos, levados para a chamada ilha da pescaria e fuzilados, sabemos disso por intermédio de Alcebíades Rosa e dos relatos dos moradores mais antigos dados a ele, que talvez não estejam mais entre nós, a questão é: Será verdade? Existem inúmeras histórias envolvendo Sepetiba, e até mesmo esta obra de Alcebíades não possui muito respaldo histórico, pois é basicamente composta por relatos de moradores antigos, não possuí ao menos referências bibliográficas, anexos de documentos etc.
Sepetiba ao que tudo indica possui uma história rica, repleta de acontecimentos importantes para a formação do país, a história desta localidade precisa ser resgatada, contada, e assim estimular-se à auto estima dos moradores desse bairro que um dia seria província, julgo primordial esse resgate e a realização de uma pesquisa que busque comprovar e descobrir as verdades, causas, historicidade etc deste local e uma explicação para o tamanho descaso para com a identidade histórica de Sepetiba, acredito ser muito importante a disseminação de um estudo (pesquisa) sobre esta descaracterização e destruição da historicidade local para os estudantes não só do curso de história mas também de outros cursos moradores da zona oeste e é claro para a população local, pois uma história não pode ser esquecida, apagada, destruída desta forma, sem constrangimentos, sem motivos, causas ou culpados a serem apontados. Bianca Wild
Links interessantes:
http://emendasesonetos.blogspot.com/2007/10/estrada-real-de-santa-cruz.html
ttp://www.ihp.org.br/docs/fprl20001001t.htm
http://www.unicamp.br/iel/memoria/base_temporal/Historia/index.htm
http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/filipinas/l4pa1027.htm
http://www.brown.edu/Facilities/John_Carter_Brown_Library/CB/indexes/laws_1813_p1.html
http://www.brown.edu/Facilities/John_Carter_Brown_Library/CB/1813_docs/L10_p01.html
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