quarta-feira, 25 de junho de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
O forte de São Paulo
O Forte de São Paulo de Sepetiba, hoje desaparecido,
localizava-se na antiga povoação de Sepetiba, hoje bairro da Zona Oeste da
cidade (e Estado) do Rio de Janeiro.
Souza relata que a fortificação foi construída em 1818, em
um morro pouco elevado, formando duas reentrantes, uma com a praia de Sepetiba
e outra com as de Arapiranga e Piahi. Era composta de diferentes obras armados
com 19 canhões, que cruzavam fogo com os fortes de São Leopoldo e São Pedro
(SOUZA, 1885: 114).
O historiador Adler Homero menciona que o Forte foi
construído no plano de defesa de 1822, contexto da independência do Brasil e do
medo de uma possível invasão portuguesa (CASTRO, 2009: 359).
Desses 18 canhões, 12 eram de 12 libras, e o restante eram
caronas de 18 libras. Era uma construção extensa e possuía um desenho de sete
redentes. Em 1822, foi visitado por D. Pedro, sua construção foi supervisionada
pelo Tenente do Estado Maior José Antônio Alves, a mão de obra coube aos
soldados dos Henriques (milicianos negros) e escravos da Fazenda de Santa Cruz.
Era uma construção de faxina, havia um paiol, armazém e quartel (sem quartel
para inferiores) (Idem).
Garrido acrescenta que todas as fortificações entre a barra
de Guaratiba e Sepetiba (litoral sul do então Distrito Federal, antigo
Município da Corte), se encontravam, em 1838, sob o comando único do Capitão
Inácio Luiz Sodré (GARRIDO, 1940: 127). As fortificações de São Pedro, São
Paulo, São Leopoldo e mais Piahi, Uripiranga e Lameiro, se encontram
relacionadas entre as defesas do setor Sul ("Fortificações de
Sepetiba") no "Mapa das Fortificações e Fortins do Município Neutro e
Província do Rio de Janeiro" de 1863, no Arquivo Nacional (CASADEI, 1994/1995:70-71).
Ao longo do século XIX o Forte de São Paulo e as demais
fortificações na região foram perdendo a importância defensiva, e somado com as
explorações e aterros que se fizeram na região, o forte estava em ruínas em
1885 (Op. cit., 1885: 114). Hoje não há nenhum vestígio da fortificação.
domingo, 19 de janeiro de 2014
A história perdida de Sepetiba
Por Bianca Wild (2007)
Busco neste texto demonstrar a relevância e importância da realização de uma pesquisa que procure justificar, ou melhor, explicar a descaracterização, a perda da história do bairro de Sepetiba, localizado no município do Rio de Janeiro/RJ tendo sua fundação datada do dia 5 de julho de 1567 com a chegada dos índios Tamoios.
Acredito ser necessária uma explicação ao menos para o desaparecimento “misterioso” de algumas construções de importância histórica não apenas para a localidade, mas sim, para o país, localizadas neste bairro, e também para o silenciamento no que concerne a disseminação da importância histórica do bairro, nas escolas locais em geral não se faz menção ao fato e muito menos se busca resgatar a identidade histórica do local.
Em uma de minhas tentativas em encontrar informações relevantes sobre o bairro não obtive muito sucesso, claro que me refiro aqui a uma busca superficial, e não à nível de pesquisa científica; pesquisei na internet e não encontrei muita coisa além de algumas fotos equivocadas , pois retratavam imediações como a praia da brisa e pedra de Guaratiba, que não fazem parte do bairro, claro que encontramos também fotos e vídeos do local, mas em número muito pequeno, também encontrei textos sobre o bairro de santa cruz e sua história, com menções muito superficiais ao bairro de Sepetiba, e finalmente encontrei a lei sancionada pelo vereador Jerominho onde ficava estabelecida a data de aniversário do bairro em 5 de julho, e a nível de produção literária, pesquisa etc, a única publicação que encontrei foi a obra de autoria de Alcebíades Francisco Rosa, além disso se conversarmos com os moradores do local, mesmo os mais antigos podemos notar que muito do que se sabe sobre a história do bairro acabou se perdendo, pois foi transmitida somente por meio da tradição oral.
O que mais me deixa indignada é o fato de que Sepetiba deveria ter sido reconhecida como segundo município do Rio de Janeiro devido a sua fundação datar de 1567, pelos índios tamoios.
O então príncipe regente D. João VI, reconheceu a área e terminou por baixar um decreto lei em 26 de julho de 1813, onde no mesmo ficava estabelecida a doação das terras correspondentes à área de Sepetiba aos antigos moradores (pescadores e lavradores), dividindo a terra em sítios; porém segundo Alcebíades Rosa, um dos “sitiantes” acabou perdendo suas terras em uma mesa de jogo, de um dos cassinos pertencentes a uma família conhecida como “Monastere”, que ficou com a posse do sítio, e desonestamente tentou o desmembramento das terras incluindo toda a área de fundação de Sepetiba, no processo conhecido como “Fazenda Piaí”; o paço imperial negou o recurso impetrado por tratar-se da área preservada pelo decreto lei de 26 de julho de 1813. De acordo com Alcebíades Rosa, não se sabe ao certo as razões pelas quais o antigo domínio da união “departamento de terras da união”, não se manifestou à respeito, deixando ocorrer na região de Sepetiba vários negócios ilícitos com as terras a partir de conivências cartoriais.
Talvez se Alcebíades Rosa não tivesse escrito esta obra sobre a história de Sepetiba, não teríamos conhecimento destes acontecimentos, muito embora que mesmo sendo de extrema valia, “a história de Sepetiba” ainda é muito superficial, acredito que talvez pela falta de fontes de pesquisa já que o livro por completo foi baseado em entrevistas, relatos de moradores antigos.
Alcebíades Francisco Rosa defende em sua obra a hipótese de que o progresso do bairro foi afetado por falta de pulso por parte dos órgãos federais no que diz respeito à lei imperial e ressalva que se não fossem os pescadores e lavradores, antigos moradores do local e o professor oficial da marinha Antonio Cerqueira Fontes (ocorrendo aqui uma dúvida, pois ao final do livro o autor agradece ao professor oficial da marinha “Arandu” de Cerqueira Fontes), ele mesmo jamais poderia ter concluído esta obra, pois ninguém saberia desta parte específica da história de Sepetiba; isto porque segundo o autor o desejo dos antigos republicanos era que Sepetiba se tornasse um local esquecido, desconhecido de todos, com o objetivo de esconder as atrocidades realizadas por eles neste local.
De acordo com Francisco Rosa, D. João VI e a corte foram convencidos a visitar Sepetiba pelos padres da companhia de Jesus e após percorrer o litoral decidiu que o mesmo seria apropriado para a navegação; e ordenou a construção de um cais, na localidade conhecida como “ilha da pescaria” e de duas pontes ligando a ilha ao continente, e antes mesmo da inauguração do cais e das pontes, três vapores foram utilizados para o transporte de carga e passageiros entre Sepetiba e o porto de Santos, e assim o príncipe regente elevou Sepetiba a condição de província, o que nunca havia aprendido na escola, ou melhor nunca havia ouvido falar.
Outro fato muito confuso e misterioso é que D, João VI havia mandado que fossem construídos dois fortes, o primeiro chamou-se de “Forte de São Pedro” localizado no morro de Sepetiba, na época conhecido como “mirante”, onde hoje encontra-se o radar da base aérea de santa cruz, o segundo forte chamou-se “São Leopoldo”, construído no então “morro do Piranga” hoje conhecido como Ipiranga localizado na divisão entre a praia de D. Luiza ( Recôncavo ) e a praia do Cardo, a dúvida e/ou o mistério: Por que não houve interesse em manter-se erguida as construções? Ou mesmo no caso de terem sido parcialmente destruídas e/ou estarem danificadas pelo tempo, em condições ruins, porque não mantê-las ali, em seu local de origem? Porque não nos restaram ao menos ruínas? Pedaços? Nada que nos remeta aos fortes antes ali existentes? Ou ao Cais?
O fato de que a família real freqüentava Sepetiba durante o verão, possuía uma área de lazer onde se encontra hoje a praça Washington Luiz, quase nunca é mencionado, em Sepetiba eram realizadas belíssimas touradas com toureadores vindos diretamente da Espanha, também eram realizados saraus maravilhosos etc., Também não se divulga o fato de que o conhecido Visconde de Sepetiba (Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, nascido em Niterói,que foi um juiz de órfãos e político brasileiro.Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, deputado geral, presidente das Províncias de São Paulo e do Rio de Janeiro, ministro da Justiça (1840) e dos Negócios Estrangeiros (1841), e senador do Império do Brasil de 1843 a 1855. Líder do chamado Clube da Joana, exerceu enorme influência sobre o Imperador D. Pedro II no início de seu reinado), possuía uma casa (Casa da Esquina) no bairro de Sepetiba que confrontava com a colônia Z15 (pescadores). Com o advento da proclamação da república em 1889, as coisas começaram a modificar-se bastante para Sepetiba, segundo Alcebíades Rosa, insurretos da revolução armada ocorrida em santa Catarina, estavam a bordo de um navio a caminho do Rio de Janeiro que teria sido atingido justamente na praia de Sepetiba ao cruzarem a baía (o nome deste navio no livro de Alcebíades Rosa consta como “Custódio de Mello” o que é impossível, pois o primeiro navio lançado ao mar com este nome data do ano de 1954, e além disso o referido almirante Custódio de Melllo ainda estava vivo, logo não poderia receber homenagem póstuma e teria participado da revolução da armada), os tripulantes teriam sido presos, levados para a chamada ilha da pescaria e fuzilados, sabemos disso por intermédio de Alcebíades Rosa e dos relatos dos moradores mais antigos dados a ele, que talvez não estejam mais entre nós, a questão é: Será verdade? Existem inúmeras histórias envolvendo Sepetiba, e até mesmo esta obra de Alcebíades não possui muito respaldo histórico, pois é basicamente composta por relatos de moradores antigos, não possuí ao menos referências bibliográficas, anexos de documentos etc.
Sepetiba ao que tudo indica possui uma história rica, repleta de acontecimentos importantes para a formação do país, a história desta localidade precisa ser resgatada, contada, e assim estimular-se à auto estima dos moradores desse bairro que um dia seria província, julgo primordial esse resgate e a realização de uma pesquisa que busque comprovar e descobrir as verdades, causas, historicidade etc deste local e uma explicação para o tamanho descaso para com a identidade histórica de Sepetiba, acredito ser muito importante a disseminação de um estudo (pesquisa) sobre esta descaracterização e destruição da historicidade local para os estudantes não só do curso de história mas também de outros cursos moradores da zona oeste e é claro para a população local, pois uma história não pode ser esquecida, apagada, destruída desta forma, sem constrangimentos, sem motivos, causas ou culpados a serem apontados.
Bianca Wild
Links interessantes:
FORTE DE SÃO LEOPOLDO DE SEPETIBA
O Forte de São Leopoldo de Sepetiba, hoje desaparecido, estava localizado na ponta de terra que separa as atuais praias do Cardo (antiga praia de Arapiranga) e de D. Luiza (considerada como parte da praia do Piahi), sobre o Morro de Sepetiba, no Rio de Janeiro.
De acordo com Souza (1885), o Forte de São Leopoldo foi erguido em 1818 para defesa daquele ancoradouro (SOUZA, 2009: 114).
Adler Homero menciona que o Forte foi construído no plano de defesa de 1822, contexto da independência do Brasil e do medo de uma possível invasão portuguesa (CASTRO: 2009, p.359).
Sua construção objetivava impedir o desembarque inimigo no local, pois, Sepetiba por ser calma e próxima à Fazenda de Santa Cruz, era considerada um provável local de risco (Idem).
Os trabalhos ficaram sob responsabilidade do Tenente do estado-maior José Antônio Alves, com mão-de-obra feita pelos Henriques (milicianos negros) e escravos da fazenda de Santa Cruz (Ibidem, 360).
Em posição dominante, de faxina e taipa, revestido de grama, apresentava duas baterias, uma artilhada com cinco peças, batendo praia de Sepetiba e as ilhas da Pescaria e do Tatú, e outra, artilhada com quatro peças, batendo o terreno até a um alagadiço que então existia no extremo da praia. Cooperava com o Forte de São Paulo de Sepetiba, com quem cruzava fogos (Op. cit., 1885: 114). Homero descreveu de forma mais detalhada a construção da bateria, de acordo com o historiador se tratava de uma bateria alta, a 15 metros do nível do mar, os parapeitos era revestidos internamente de alvenaria, com algumas plataformas de canhões feitas em tijolo. Das 4 peças existentes todas eram de calibre 12 e havia uma caronada de 18 libras. Junto a essa posição existia um entrincheiramento baixo, com traçado italiano (com dois baluartes) de 110 metros, estava artilhada com 4 caronadas de 18 libras, feita de taipa, com três metros de espessura (Op. cit., 2009: 360).
Garrido acrescenta que todas as fortificações entre a barra de Guaratiba e Sepetiba (litoral sul do então Distrito Federal, antigo Município da Corte), se encontravam, em 1838, sob o comando único do Capitão Inácio Luiz Sodré (GARRIDO, 1940: 127). As fortificações de São Pedro, São Paulo, São Leopoldo e mais Piahi, Uripiranga e Lameiro, se encontram relacionadas entre as defesas do setor Sul ("Fortificações de Sepetiba") no "Mapa das Fortificações e Fortins do Município Neutro e Província do Rio de Janeiro" de 1863, no Arquivo Nacional (CASADEI, 1994/1995:70-71).
Ao longo do século XIX o Forte de São Leopoldo e as demais fortificações na região foram perdendo a importância defensiva, e somado com as explorações e aterros que se fizeram na região, o forte estava em ruínas em 1885 (Op. cit., 1885: 114). Hoje não há nenhum vestígio da fortificação.
Entendendo o Movimento Ecomuseu Sepetiba (2011)
Entendendo o Movimento Ecomuseu Sepetiba
Os anos de 2007 e 2008 são especiais para o Movimento Ecomuseu Sepetiba, pois se inicia uma reaproximação da população de Sepetiba com a sua história, e, podemos dizer um reconhecimento da memória coletiva local, a partir do ano de 2007 foram publicados em diversos sites textos sobre a história do bairro, despertando empenho e motivação em muitos moradores, em 2008, ano internacional do planeta Terra, do Saneamento e do poder do Cidadão foi realizada a primeira comemoração do aniversário do bairro objetivando expor a história local, mostrar o valor do bairro, de seus moradores, “resgatando” a auto-estima despedaçada desta sofrida população.
Em 2009, ano internacional da reconciliação e da aprendizagem sobre os direitos humanos ocorreu o estabelecimento da “Semana de Sepetiba”, e através da realização da I Jornada de Formação em Museologia comunitária aconteceu a 1ª Roda de Lembranças de Sepetiba, onde, nós, moradores descobrimos o significado da Ecomuseologia, dos Ecomuseus , e entendemos como a criação do Movimento Ecomuseu Sepetiba seria de suma importância para a recuperação e preservação de nossos bens naturais, culturais e históricos.
Vale a pena ressaltar que, antes mesmo da divulgação da história do bairro on line, da realização da 1ª festa em comemoração do aniversário do bairro buscando o enaltecimento de sua história, da Semana de Sepetiba e da roda de lembranças de Sepetiba, vários outros acontecimentos, como passeatas, configuram ações que poderiam ser incorporadas como antecedentes do processo de reconhecimento ecomuseológico de Sepetiba, o primeiro “abraço a praia de sepetiba”, a passeata S.O.S baía de Sepetiba, os protestos ocorridos durante o aniversário de 441 anos do bairro dentre outros movimentos comunitários.
O movimento Ecomuseu Sepetiba germinou uma esperança de renovação, transformação e renascimento no coração dos moradores do bairro, do vínculo com o passado se extrai a força para a formação da identidade (Bosi, 2004), de acordo com Stuart Hall , a identidade preenche o espaço entre o interior e o exterior, entre o mundo pessoal e o mundo público, bem como o fato de que projetamos a nós mesmos nessas identidades culturais, ao mesmo tempo em que internalizamos seus significados e valores tornando-os “parte de nós”, contribuindo para ornarmos nossos sentimentos subjetivos com os lugares objetivos que ocupamos no mundo social e cultural, entende-se então que a identidade “costura” o sujeito à estrutura, estabiliza tanto os sujeitos quanto os mundos culturais que eles habitam, tornando ambos reciprocamente mais unificados e predezíveis.
Há muito tempo a auto-estima da população do bairro de Sepetiba, enquanto moradores vem desaparecendo, e com ela perde-se os vínculos com o bairro, ocasinando o desinteresse em atividades de reivindicação, para tanto atuaremos também como projeto de desenvolvimento comunitário sustentável buscando transformar a realidade local de exclusão social, cultural e principalmente econômica, atuaremos nas áreas de cultura, meio ambiente, pesquisa e educação através de diversas atividades em educação patrimonial envolvendo a comunidade. Nossa missão: pesquisar, manter, documentar, decifrar, valorizar e disseminar testemunhos do Homem e do meio, objetivando colaborar para a construção e a transmissão das memórias coletivas e para um desenvolvimento local sustentável e integral.
A memória tem um papel fundamental na construção da identidade, tanto individual quanto coletiva, memória e identidade não devem ser compreendidas como manifestações de alguma essência do individuo ou do grupo, mas sim fenômenos que se constroem socialmente e que, portanto, não estão isentos de mudanças desenvolvidas em virtude das “preocupações pessoais e políticas do momento” (Pollak, 1992, p. 201). Ocorreu em Sepetiba, um desaparecimento dos relatos referentes a memória coletiva da região, a partir da divulgação e da exaltação da história do bairro e de seus encantos de diversas formas, viabiliza-se o surgimento de uma nova realidade para a população esquecida deste “Recanto” desprezado da zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro, identificado como “bairro dormitório”, um dos motivos da ausência de mobilização por parte da população até então.
Pierre Nora caracteriza a circunstância em que o passado vai cedendo seu lugar para a idéia do eterno presente através do uso da expressão aceleração da história em seu artigo “entre memória e História: a problemática dos lugares” (1993). Nesse momento, segurar traços e vestígios é a maneira de se opor ao efeito devastador e desintegrador da rapidez contemporânea, da degradação ambiental ocasionada pelo desenvolvimento desmedido sem preocupação com o meio ambiente, o que debatemos em especial no movimento e em nossa pesquisa.
A memória não pode mais ser vista como um processo parcial e limitado de lembrar fatos passados, de valor acessório para as ciências humanas, na verdade ela se apóia na construção de referenciais de diferentes grupos sociais sobre o passado e o presente, respaldados nas tradições e ligados a mudanças culturais (Fabiano Junqueira de Freitas e Paula lou Ane Matos Braga), a memória para o movimento Ecomuseu Sepetiba tem um alcance transformador, unificador e principalmente auxilia na construção das identidades.
De acordo com Henri Revièri, o ecomuseu “É um espelho no qual a população local se revê para descobrir a sua própria imagem, na qual procura uma explicação do território ao qual está ligada e das populações que lhe precederam, vistas como circunscritas no tempo ou em termos de continuidade de gerações. É um espelho que a população local mostra aos seus visitantes para que seja melhor entendida (...)”(H. Rivière, 1998). Um de nossos lemas: “Espelho onde se revê, e se descobre a própria imagem.”
O Movimento Ecomuseu Sepetiba possui um ponto de vista de democracia participativa e uma perspectiva de desenvolvimento sustentável, assegurando o direito e o dever das comunidades de preservarem a sua identidade cultural.
Partindo da afirmação de Le Goff, onde este autor defende uma finalidade libertária para a memória “A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procurava salvar o passado para servir o presente e o futuro”. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens” (Le Goff, 2003, p.477) .
O Movimento Ecomuseu Sepetiba buscará garantir a conservação do patrimônio natural e cultural local, uma grande diversidade de patrimônios - móvel, imóvel; material e imaterial – Tangível e intangível, busca a articulação de eixos temáticos e a multi e interdisciplinaridade no seu trabalho. Bem como criar dinâmicas geradoras de desenvolvimento.
Le Goff afirma que a memória coletiva, ao longo da história do mundo, tem sido posta em jogo na luta das forças sociais pelo poder e, é formada tanto de lembranças, quanto de esquecimentos, produzidos por diversas instâncias sociais. Por isso o autor alerta para os riscos do controle da memória coletiva, principalmente pelos governos (Le Goff, 2003, 471), com o crescimento populacional desordenado que aqui ocorreu no passado e continua a ocorrer, justo por tratar-se de uma região afastada onde ocorreram e ocorrem muitas ações ilegais, apropriações e desapropriações de terras dentre outros fatos que justificam o desinteresse na manutenção da historicidade desta localidade, a sustentação da alienação e desinformação dos moradores locais, bem como a ausência de visibilidade do bairro.
Sendo assim vale a pensa destacar, segundo Lê Goff, “O documento não é inócuo (...) resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias. No limite, não existe um documento-verdade” .( Le Goff, 2003, 537).
Mario de Souza Chagas, nos esclarece que se dirigir ao passado, sem nenhuma perspectiva de mudança, implica a comemoração da ordem estabelecida, a afirmação da ordem jurídica, dos valores culturais dados, da verdade científica imposta, precisamente o motivo pelo qual buscamos a transformação das perspectivas dos moradores da região através do “restabelecimento” da importância histórica, da memória coletiva local desaparecida ocasionando uma ruptura no processo de alienação e exclusão imposto a esta população.
De acordo com Mario de Souza chagas o patrimônio não é pacífico, envolve determinados riscos e pode ser utilizado para atender a diferentes interesses políticos. Segundo o autor o interesse no patrimônio não se justifica pelo vínculo com o passado seja ele qual for, mas sim pela sua conexão com os problemas fragmentados da atualidade, a vida dos seres humanos em relação com outros seres, coisas, palavras, sentimentos e idéias.
A memória enquanto reconstrução do passado no presente, ou enquanto determinações do passado sobre o presente, pode tanto “escravizar” como “libertar”; a lembrança e o esquecimento, manifestações da memória nos indivíduos, só adquirem significado mais amplo se analisados na especificidade do contexto histórico de sua construção passada e de sua narração presente. Como conseqüência debruçar-se sobre a memória não significa a reconstrução integral de como teria sido o passado, posto que passou, mas sim a presença deste no presente, consciente ou inconsciente. (Pacano, 2005)
Leia mais: http://ecomuseusepetiba.webnode.com.br/
Crie seu site grátis: http://www.webnode.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)






































































